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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

ESA já tem previsões sobre onde pode cair a estação espacial Tiangong-1





A Agência Espacial Europeia está monitorando a estação espacial chinesa Tiangong-1, que irá cair na Terra no início do próximo ano, e conseguiu já delimitar a área do planeta onde poderá cair: a maior parte da estação deverá ser consumida na reentrada na atmosfera, mas as partes que sobreviverem deverão cair numa faixa entre as latitudes 43ºN e 43ºS.
"De acordo com a geometria da órbita da estação, podemos já excluir a possibilidade de que qualquer fragmento caia a norte de 43ºN ou sul de 43ºS", diz Holger Krag, chefe da divisão de lixo espacial da Agência Espacial Europeia (ESA).
É uma gigante faixa da Terra, que contém a maior parte dos continentes habitados, incluindo, por exemplo, a Europa. "A data, hora e posição geográfica da reentrada pode ser prevista apenas com grandes incertezas. Até mesmo pouco tempo antes da reentrada, só poderemos estimar uma enorme janela temporal e geográfica", admite Holger Krag.
A ESA vai fazer parte da operação para monitorizar a reentrada da estação na atmosfera, conduzida por uma agência internacional, a IADC, com o apoio das agências norte-americana, russa e japonesa, entre outras.
A Tiangong-1 tem 12 metros de comprimentos, um diâmetro de 3,3 metros e uma massa de 8506 kg. Atualmente está a 300 km de altitude, numa órbita que vai levar à sua queda entre janeiro e março de 2018, uma reentrada sobre a qual não neste no momento quaisquer hipóteses de controlo. Além disso, devido aos materiais usados, é provável que parte da estação resista à reentrada e atinja a superfície.
"Isto significa que a reentrada pode acontecer sobre qualquer ponto da Terra entre as latitudes [43ºN e 43ºS], o que inclui vários países europeus, por exemplo", diz Krag.
Há uma estatística positiva, no entanto, não já qualquer registo de uma pessoa ter sido ferida por lixo espacial na história da exploração espacial, lembra a ESA.

Fonte-dn

domingo, 21 de maio de 2017

LCFCOIN O BITCOIN CHINÊS

                                         
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ação humana contamina áreas intocadas do fundo do mar



Não muito longe das ilhas Guam está o ponto mais profundo da superfície da Terra, a fossa das Marianas. Sua profundidade é de 10.994 metros abaixo do nível do mar. Se o monte Everest ficasse em uma posição invertida, ainda assim haveria mais de 2 km de água entre a base da montanha e a superfície do oceano. Em razão dessa profundidade, muitos pesquisadores supunham que a fossa das Marianas e outras semelhantes do fundo do mar fossem os poucos lugares ainda preservados no mundo.
No entanto, um artigo de Alan Jamieson e de seus colegas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, publicado esta semana na revista científica Nature Ecology and Evolution, mostrou que as fossas oceânicas têm muitos elementos poluentes.
Apesar do frio, da escuridão e da alta pressão, as fossas oceânicas são o hábitat de ecossistemas semelhantes em muitos aspectos aos encontrados em outras partes do planeta. Porém, na maioria dos ecossistemas da Terra, a luz solar alimenta o crescimento de plantas que são consumidas pelos animais. Em algumas partes mais rasas do oceano, os respiradouros hidrotermais fornecem substâncias químicas ricas em energia, que formam a base das cadeias alimentares locais.
Porém, não existem respiradouros abaixo de 5 mil metros e nenhuma luz solar penetra em uma fossa oceânica. Os organismos encontrados nesses locais escuros e profundos dependem, portanto, do material orgânico absorvido pela água.
 Como esses nutrientes ficam depositados nas fossas, Jamieson questionou o pressuposto que essas regiões profundas não tinham sido atingidas pela ação humana. Em sua opinião, os poluentes de longa duração, como os bifenilos policlorados (usados em equipamentos elétricos) e éteres difenílicos polibromados (utilizados como retardantes de chamas) poderiam ter penetrado nos organismos marinhos que vivem nesses locais.
Com o objetivo de testar essa ideia, Jamieson e seus colegas enviaram um módulo não tripulado para o fundo da fossa das Marianas e para a fossa de Kermadec, perto da Nova Zelândia. O módulo passou entre oito e 12 horas explorando o local e capturando anfípodes (um tipo de crustáceo, ver imagem) usando armadilhas de funil com cavalas como isca.
O módulo coletou espécimes de dez locais nas duas fossas. O local mais raso foi de 7.227 metros na fossa de Kermadec. O mais profundo estava a 10.250 metros na fossa das Marianas. A equipe constatou a presença de éteres difenílicos polibromados nos anfípodes capturados, mas em concentrações moderadas. Já os níveis de bifenilos policlorados estavam bem altos.
Em animais capturados em ambientes sem poluição, os níveis de bifenilos policlorados não excedem em geral a um nanograma, o equivalente a um bilionésimo de um grama, por grama de tecido. Em áreas extremamente poluídas, como o rio Liao na China, esse nível pode subir um pouco acima de 100 nanogramas. Na fossa das Marianas os anfípodes que viviam na profundidade de 10.250 metros tinham 495 nanogramas por grama da substância química poluente. Os encontrados a 8.942 metros tinham uma concentração de 800 nanogramas. A análise do tecido dos anfípodes capturados a 7.841 metros de profundidade mostrou uma concentração de 1.900 nanogramas por grama. O nível de poluição da fauna marinha da fossa de Kermadec apresentou uma variação de 50 nanogramas a 250 nanogramas por grama.
Os pesquisadores não descobriram o motivo da presença tão elevada de bifenilos policlorados na fossa das Marianas. Segundo Jamieson, é possível que seja resultado da proximidade da fossa com o Redemoinho Subtropical do Pacífico Norte, uma espiral de correntes criada por um sistema de alta pressão de centenas de quilômetros de extensão, que acumulou milhões de quilos de lixo ao longo dos anos, a maioria de plásticos.

Fonte-opiniao

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Mais de 30 países organizam greve geral de mulheres

O dia 8 de março promete ser diferente. No próximo Dia Internacional da Mulher, está marcado uma greve nacional feminina na Argentina. No entanto, mulheres de outros 30 países também querem fazer o mesmo.
Grupos feministas da Austrália, Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, República Checa, Equador, Inglaterra, França, Alemanha, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda do Norte, Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Peru, Polônia, Rússia, El Salvador, Escócia, Coreia do Sul, Suécia, Togo, Turquia, Uruguai e Estados Unidos confirmaram que vão deixar seus postos de trabalho para protestar contra as desigualdades de gênero e a violência contra a mulher.
A greve é inspirada no Dia Livre das Mulheres islandesas de 1975, quando 90% das mulheres deixaram seus postos de trabalho em 24 de outubro para se manifestar nas ruas e lutar pela igualdade de direitos.
Nesta semana, a ativista americana Angela Davis e outras do mundo acadêmico assinaram uma carta publicada no jornal Guardian, intitulada “Mulheres dos Estados Unidos, vamos fazer greve. Vamos nos unir e assim Trump verá nosso poder”, que convida as mulheres a participarem da manifestação.
As americanas nomearam esta nova onda global de Feminismo do 99%, que enfatiza os direitos sociais e herda a simbologia dos protestos do movimento “Ocuppy Wall Street” contra o 1% que sustenta a riqueza global.

Fonte-opiniao

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Decreto de Trump muda isenção de entrevista para brasileiros

Para tirar o visto americano, solicitantes brasileiros com até 15 anos ou com idade igual ou superior a 66 poderiam se qualificar para a isenção de entrevista. Esta isenção foi determinada pelo ex-presidente Barack Obama há cerca de dois anos. No entanto, segundo o novo decreto do presidente Donald Trump, este intervalo de idade foi revisto.
Agora, a concessão de visto sem entrevista para solicitantes brasileiros só será possível para menores de 14 anos e maiores de 79 anos. A isenção de entrevista vale para quem solicita o visto para turismo ou negócios e que nunca teve um visto negado. As entrevistas de visto são feitas exclusivamente nos consulados americanos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife.
A isenção de entrevista para brasileiros também vale para aqueles que tenham um visto na mesma categoria que tenha expirado em menos de 12 meses do novo pedido, além de brasileiros que solicitarem vistos diplomáticos e oficiais de governos estrangeiros e organizações internacionais.

Fonte-opiniao

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Dinheiro pode sair de circulação

O fim do dinheiro de papel já é uma morte anunciada na Suécia: até 2030, as cédulas e moedas deverão virtualmente desaparecer no país, que lidera a tendência global em direção à chamada "sociedade sem dinheiro". A projeção é do Banco Central sueco.
É o prenúncio de uma nova era, dizem especialistas. A previsão é de que, no futuro, as economias modernas serão dominadas pelo uso do cartão e da moeda eletrônica em escala mundial.
Na Suécia, a transformação é visível. Cada vez mais cidadãos usam menos o dinheiro de papel, nesta sociedade em que os pagamentos já são feitos majoritariamente via cartão, celular e variados meios eletrônicos. Na capital, Estocolmo, cresce o número de restaurantes e lojas que estampam o aviso: "Não aceitamos dinheiro".
Novos dados do Banco Central indicam que as transações em dinheiro representam, atualmente, apenas 2% do valor de todos os pagamentos realizados na Suécia – contra uma média de cerca de 7% no restante da Europa.
Com base nestes dados, a Sveriges Radio (rádio pública sueca) chegou a decretar a morte iminente do dinheiro para daqui a cinco anos: se mantido o ritmo atual indicado agora pelo Banco Central, segundo a rádio, as projeções apontam que já em 2021 o percentual de utilização do dinheiro no país deverá cair para menos de 0.5%. O banco, no entanto, prefere adotar um tom mais cauteloso.
"Cerca de 20% dos pagamentos efetuados no comércio varejista ainda são feitos em dinheiro. Nossa avaliação é que o dinheiro continuará a circular na Suécia até aproximadamente o ano de 2030", disse à agência sueca de notícias TT o porta-voz do Banco Central, Fredrik Wange.
A expectativa é de que a Suécia deverá ser o primeiro país do mundo a abolir o dinheiro de papel.
"Os novos números do Banco Central confirmam uma tendência que cresce a cada ano no país", disse à BBC Brasil o analista Bengt Nilervall, da Federação Sueca do Comércio (Svensk Handel).
"A Suécia continua à frente do resto da Europa em relação à redução do uso do dinheiro do papel. E principalmente dos Estados Unidos, onde cerca de 47% dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro", acrescenta Nilervall, que destaca os avanços dos vizinhos nórdicos, Noruega e Dinamarca, na mesma direção.
Fonte-bbc


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Aprovada proposta para que português seja língua oficial na ONU

O chefe de Estado português fez este anúncio numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro português, António Costa.
O Presidente da República de Portugal anunciou hoje que na XI Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi aprovada uma proposta para que o português seja uma língua oficial nas Nações Unidas (ONU).
Marcelo Rebelo de Sousa disse que a proposta não consta da declaração final desta cimeira da CPLP, mas foi aprovada por aclamação, e adiantou que foi feita pelo Presidente do Brasil, Michel Temer.
O chefe de Estado português fez este anúncio numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro português, António Costa, declarando: "Desta cimeira também saiu uma proposta concreta para que o português passe a ser uma língua oficial nas Nações Unidas".
Já à saída da conferência de imprensa, o Presidente da República esclareceu que essa resolução "não consta da declaração [final]" da cimeira de Brasília, "mas foi aceite também, por aclamação".
Tratou-se de uma "proposta, aliás, do Presidente Michel Temer, logo no início", acrescentou.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Antártida ganha a maior reserva marinha do mundo

Países superam divergências para criar área protegida de 1,6 milhão de quilômetros quadrados no Mar de Ross, um dos últimos ecossistemas marinhos intactos do planeta, lar de pinguins, focas e baleias. Foi estabelecida nesta sexta-feira (28/10) a criação da maior reserva marinha do mundo, de território equivalente ao do Alasca, no Mar de Ross - localizada na Antártida e um dos últimos ecossistemas marinhos intactos do planeta. O acordo foi alcançado em reunião na Austrália entre 24 países e a União Europeia.
O acordo obtido durante a reunião anual da Convenção para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártida (CCRVMA) em Hobart, na Austrália, permitirá a criação de uma reserva numa área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, que será protegida pela Nova Zelândia e pelos Estados Unidos. As atividades pesqueiras serão proibidas num território equivalente a três quartos do santuário.
Os EUA e a Nova Zelândia vinham há anos tentando obter consenso sobre a criação da reserva, mas esbarravam na oposição da Rússia. No ano passado, a China se posicionou favoravelmente à iniciativa, abrindo caminho para que fosse finalmente acordada pelos membros da comissão, composta por 24 países - entre os quais, o Brasil - e pela União Europeia (UE).
O Mar de Ross, considerado um dos ambientes mais intactos no planeta, abriga um terço da população mundial de pinguins de Adélia e 26% dos pinguins imperadores de todo o mundo. A região possui vastas colônias de aves marinhas, focas, peixes e baleias.
O local é fundamental para o estudo desses ecossistemas, além de possibilitar a compreensão dos impactos das mudanças climáticas nos oceanos. É um dos poucos lugares quase sem nenhum contato com seres humanos.
Diversos países promovem atividades pesqueiras no Mar de Ross. A partir do final de 2017, porém, 72% da região serão uma zona de proibição de pesca. Nas demais áreas, as atividades serão limitadas e monitoradas.
Foram “necessárias algumas mudanças na proposta, de modo a obter o apoio unânime de todos os 25 membros da CCRVMA”, afirmou o ministro do Exterior da Nova Zelândia, Murray McCully. "O acordo final equilibra a proteção marinha, pesca sustentável e interesses da ciência."
O diretor do projeto Aliança do Oceano Antártico, Mike Walker, disse que pela primeira vez os países puseram suas diferenças de lado para proteger uma grande área do Oceano Antártico e das águas internacionais.
Esta é a primeira vez em que um grupo de nações colabora criar uma área marítima de proteção no oceano aberto, que está fora da jurisdição de todos os países.
O acordo entra em vigor em dezembro de 2017 e será válido por 35 anos na zona de proibição de pesca. Encerrado esse período, os países membros da CCRVMA devem decidir por unanimidade a prorrogação da reserva, algo que não deverá ser fácil, tendo em vista as dificuldades observadas no passado para obter avanços nas negociações.
Além do Brasil, os países que integram a convenção são Argentina, Austrália, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chile, China, Ilhas Cook, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Ilhas Maurício, Namíbia, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Paquistão, Panamá, Peru, Polônia, Rússia, África do Sul, Espanha, Suécia, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai e Vanuatu.


terça-feira, 29 de março de 2016

Mulheres mochileiras

O espírito desbravador sempre fez parte da essência humana. Graças a ele, continentes foram descobertos e regiões foram ocupadas, criando os mais diferentes tipos de cultura.
No entanto, quando se trata de mulheres, a questão se torna um pouco mais complexa. Ao longo da história, elas foram vítimas de uma construção social do papel feminino que relegou as mulheres ao ambiente doméstico, tornando um tabu qualquer tipo de ocupação do espaço público sem a companhia masculina.
Esse tipo de cultura machista persiste até os dias atuais. Prova disso foi o assassinato de duas turistas argentinas no Equador no início deste mês. Marina Menegazzo e María José Coni foram mortas a pauladas por dois homens que tentaram abusar sexualmente delas. A notícia do crime gerou uma onda de críticas nas redes sociais, onde muitos acusaram as turistas de “pedirem por isso” por estarem viajando sozinhas. “Sozinhas”, no caso, significa sem a companhia de um homem.
As críticas revoltaram mulheres apaixonadas por viagens e deram início à campanha #ViajoSola, em que mulheres que viajam sozinhas ou acompanhadas de uma amiga compartilham fotos mostrando que, assim como os homens, elas também têm espírito aventureiro e não devem ser julgadas por isso.
Uma representante deste perfil é Nathaly Fogaça, criadora da página do Facebook Chão da América e do blogEstudante do Mundo, onde compartilha suas experiências e se define como “publicitária por formação, mochileira por paixão”. Ela conta que a paixão por viagens despertou em 2012, após uma visita a amigos da Universidade de Integração Latino Americana (Unila), que fica em Foz do Iguaçu, no Paraná, e é frequentada por alunos de vários países da América Latina. O contato com eles fez despertar a curiosidade sobre a cultura latino-americana, e no mesmo ano ela decidiu viajar pelo continente.
“Foi incrível. A cada nova descoberta eu me apaixono ainda mais pela América do Sul. Cada país e povo têm suas particularidades, sua história, sua gastronomia, música, literatura e provar isso por conta própria é incrível. Já estive em alguns países, mas fui de maneiras distintas. De avião/ônibus, fui para Uruguai, Bolívia e Argentina. De carona, fui para Argentina, Chile e Paraguai, além de alguns lugares do Brasil, sempre mesclando viagens solo, com amigos ou com pessoas que conheci na internet.”
Nathaly diz que em todas as viagens que fez inclusive a cidades brasileiras, foi alertada de que estava correndo risco. No entanto, ela afirma que viajar sozinha não é tão perigoso quanto parece e que o medo é fruto de notícias sensacionalistas e da falta de experiência própria das pessoas.
“As notícias sensacionalistas estão ao nosso redor a todo instante e pessoas que se acostumam e aceitam tal conteúdo sem ter tido experiências próprias, vão se basear nestas para definir o que é seguro ou não. Sempre me falam que viajar sozinha é perigoso, mas todos que me falam isso nunca saíram de casa. E todas as manas que já saíram por aí em viagens solo sabem bem do que falo: na estrada as coisas acontecem, as pessoas ajudam e nos sentimos (às vezes) mais seguras do que na nossa cidade. Não é necessariamente uma crítica a quem tem medo disso. Consigo entender tal receio. Na verdade, é um pedido para que cada um vá e tenha sua própria experiência.”
Em suas viagens, Nathaly conheceu outras mulheres mochileiras como ela, tanto pessoalmente quanto virtualmente. “No Chile, um país que tem a carona muito forte na sua cultura, conheci garotas que viajavam assim também, embora muitas vezes acompanhadas de amigos homens. Apenas uma vez me reuni com duas mochileiras na estrada e viajamos juntas por um dia. Já no Brasil, não tive a mesma sorte. Encontrei apenas depois das minhas viagens mochileiras com a mesma sede de aventura. E são muitas!”
Segundo ela, o único desconforto foram os assédios verbais (as chamadas “cantadas”) de alguns motoristas que deram carona a ela. “Os motoristas não entendem o que uma mulher sozinha está fazendo ali, viajando. E sempre aproveitam para tirar uma casquinha. É mega desconfortável, mas todos eles sempre respeitaram meus ‘nãos’ sem grandes problemas”, diz Natahly. Preconceito, de fato, ela diz ter sofrido apenas uma vez, quando namorou um rapaz chileno. “Ele tinha um pensamento conservador de que mulheres estão aqui para cuidar da casa, filhos, servir seus maridos…foi difícil explicar outro lado da moeda para ele”.
No entanto, Nathaly concorda que, embora tenha avançado bastante, “nossa sociedade ainda é muito machista e acredita que mulheres não ‘foram feitas’ para andar livres e sozinhas mundo a fora”.
“Desde sempre nos foi imposto como atividade principal, cuidar da casa e dos filhos e, ainda hoje, qualquer coisa que saia dessa ‘regra’ é vista como loucura: ser solteira, ir morar sozinha, decidir não ter filhos, ser a principal responsável pelas contas do lar, decidir focar na carreira, mochilar sozinha….nenhuma dessas atividades nos é ‘permitida’. Quando homens decidem fazer coisas do tipo, principalmente mochilar, são definidos como desbravadores, corajosos, destemidos. Porém, quando nós fazemos isso, insistem em nos chamar de loucas, em perguntar se não temos medo e apontar inúmeros motivos para desistirmos; poucas são as pessoas que nos incentivam de fato.
Questionada sobre as críticas às turistas argentinas assassinadas, ela afirma que elas comprovam o tabu que ainda existe sobre o tema, mas defende que a violência não pode ser usada como justificativa para tolher a liberdade feminina.
“O trágico ocorrido com as mochileiras mendocinas veio para confirmar tudo isso. Mesmo viajando juntas, as pessoas insistem em afirmar que elas estavam sozinhas, entre outros argumentos que tentem justificar a ação dos assassinos. Elas não estavam sozinhas e nada vai justificar a violência que sofreram. Nada. Somos livres e devemos estar seguras em qualquer parte do mundo. Acompanhadas ou não. Nada justifica a violência.”



domingo, 24 de janeiro de 2016

Pesquisa aponta Alemanha como o melhor país do mundo; Brasil ficou em 20º


Foi lançado na última quarta-feira (20) em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, o relatório “Melhores Países”, um ranking que traz a Alemanha em primeiro lugar, seguida por Canadá, Reino Unido e Estados Unidos. O Brasil aparece em 20º lugar nessa lista, com um total de 60 países.
Para elaborar o ranking, os pesquisadores apresentaram 65 atributos que podem ser usados para descrever um país ou que sejam relevantes para o “sucesso” de uma nação para mais de 16 mil pessoas em todo o mundo. Os entrevistados tinham que associar essas características com os 60 países.
Os atributos foram agrupados em nove categorias que também viraram subrankings, entre eles cidadania, influência cultural, empreendedorismo, patrimônio e qualidade de vida. E o ranking principal foi elaborado a partir da associação dos países com os atributos.
O Brasil ficou em primeiro lugar no subranking aventura, e foi melhor nos seguintes atributos: feliz, sexy, clima agradável, cênico e amigável.
O relatório foi elaborado pela consultoria BAV Consulting e pela Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, com consultoria da empresa U.S. News & World Report.

Veja abaixo os 30 primeiros colocados do ranking:

1) Alemanha 2) Canadá 3) Reino Unido 4) Estados Unidos 5) Suécia 6) Austrália 7) Japão 8) França 9) Holanda 10) Dinamarca 11)Nova Zelândia 12)Áustria 13)Itália 14) Luxemburgo 15) Cingapura 16)Japão 17)China 18) Irlanda 19) Coreia do Sul 20) Brasil 21) Tailândia 22) Índia 23) Portugal 24) Rússia 25) Israel 26) Grécia 27) México 28) Malásia 29) Arábia Saudita 30) Turquia.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Organização das Nações Unidas recomenda fim da Polícia Militar e melhorias no Sistema Penitenciário Brasileiro


O Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu ao Brasil desde o começo do ano de 2012 maiores esforços para combater a atividade dos “esquadrões da morte” e que trabalhe para suprimir a Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais.
Esta é uma de 170 recomendações que os membros do Conselho de Direitos Humanos aprovaram como parte do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre o Exame Periódico Universal (EPU) do Brasil, uma avaliação à qual se submetem todos os países.
A recomendação em favor da supressão da PM foi obra da Dinamarca, que pede a abolição do “sistema separado de Polícia Militar, aplicando medidas mais eficazes (…) para reduzir a incidência de execuções extrajudiciais”.
A Coreia do Sul falou diretamente de “esquadrões da morte” e Austrália sugeriu a Brasília que outros governos estaduais “considerem aplicar programas similares aos da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) criada no Rio de Janeiro”.
Já a Espanha solicitou a “revisão dos programas de formação em direitos humanos para as forças de segurança, insistindo no uso da força de acordo com os critérios de necessidade e de proporcionalidade, e pondo fim às execuções extrajudiciais”.
O relatório destaca a importância de que o Brasil garanta que todos os crimes cometidos por agentes da ordem sejam investigados de maneira independente e que se combata a impunidade dos crimes cometidos contra juízes e ativistas de direitos humanos.
O Paraguai recomendou ao país “seguir trabalhando no fortalecimento do processo de busca da verdade” e a Argentina quer novos “esforços para garantir o direito à verdade às vítimas de graves violações dos direitos humanos e a suas famílias”.
A França, por sua parte, quer garantias para que “a Comissão da Verdade criada em novembro de 2011 seja provida dos recursos necessários para reconhecer o direito das vítimas à justiça”.
Muitas das delegações que participaram do exame ao Brasil concordaram também nas recomendações em favor de uma melhoria das condições penitenciárias, sobretudo no caso das mulheres, que são vítimas de novos abusos quando estão presas.
Neste sentido, recomendaram “reformar o sistema penitenciário para reduzir o nível de superlotação e melhorar as condições de vida das pessoas privadas de liberdade.

Fonte-efe

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Tribunal italiano determina que Alemanha pague indenização individual por crime nazista

O advogado alemão Joachim Lau tem nas mãos vários processos contra o governo alemão por conta dos abusos cometidos na Segunda Guerra Mundial. Por anos, estes processos caíram no limbo, por conta de leis domésticas e internacionais. Mas, na semana passada, um tribunal italiano ordenou a Alemanha a pagar cerca de US$ 109 mil mais os custos legais aos herdeiros de um homem que morreu trabalhando numa fábrica de armas nazistas.
A decisão contraria a Corte Internacional de Justiça, em Haia, principal órgão judiciário das Nações Unidas, que determinou que a Alemanha não tem obrigação de pagar indenizações individuais a vítimas de crimes nazistas na Itália.
O ocorrido deu impulso à batalha do advogado, apesar dos contínuos esforços de Roma e Berlim para parar os processos judiciais. No entanto, ainda não está claro se Lau vai ter força o suficiente para fazer com que a Alemanha pague seus clientes.
Berlim diz que governo não tem a obrigação legal de pagar indenizações, por já ter pago bilhões de dólares em reparações desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Fonte-opiniao

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Um novo fator que pode piorar o aquecimento global

    Um novo estudo mostra que o fator climático que mais impacta no armazenamento de carbono terrestre, ou seja, a capacidade de plantas de absorver o carbono, evitando assim que ele vá para a atmosfera, é a temperatura tropical noturna, que está subindo mais rapidamente do que as temperaturas médias diurnas.
Quando a temperatura noturna sobe, os pesquisadores dizem que isto interfere na capacidade das florestas de armazenar carbono, o que pode fazer com que as florestas se tornem emissores de gases responsáveis pelo efeito estufa, piorando as mudanças climáticas.
A ideia é nova na comunidade científica. Ela surgiu de estudos na Costa Rica que revelaram que as temperaturas noturnas influenciavam na quantidade de carbono que era absorvido pelo ecossistema na região.
“A ideia é que nas noites quentes, as plantas, e outras partes do ecossistema- estão consumindo mais seus açúcares e perdendo mais carbono para a atmosfera do que nas noites mais frias”, disse um dos autores do estudo, William Anderegg.
Os autores sugerem que no pior dos cenários, as florestas podem se transformar em uma fonte de carbono, em vez de um sumidouro de carbono. Logo, com mais carbono liberado na atmosfera, piores seriam as consequências do aquecimento global.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Brasil: a quantidade de milionários deve subir 37%

 
      O modo de produção capitalista demonstra historicamente ser uma máquina de reprodução de desigualdades. Mas diferente das sociedades anteriores cuja desigualdade não se apresentava como problema, por ser identificada como natural, no capitalismo a desigualdade não deixa de revelar tensão e medidas voltadas ao seu enfrentamento.
Isso foi, certamente, o que permitiu interromper a trajetória da desigualdade entre a década de 1920 e 1970, sobretudo nas economias capitalistas avançadas. Por um lado, as duas grandes guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945) e a depressão econômica entre 1929 e 1939 contribuíram para a queima de riqueza, sobretudo no cume da pirâmide distributiva.
Por outro, o acordo socialdemocrata produzido no período de quase 30 anos considerado glorioso (1947-1973) esteve permeado por uma diversidade de políticas públicas viabilizadas pelo estado de bem-Estar social que elevaram o padrão de vida dos de baixo da pirâmide social. Uma espécie de medianização social pareceria sobrepor-se ao contexto da polarização social herdado do século XIX.
Desde os anos de 1980, contudo, o quadro da polarização social gerado pela desigualdade crescente no capitalismo assumiu a condição de novo normal. A substituição do antigo acordo socialdemocrata por políticas de corte neoliberal liberou a concentração da riqueza no andar de cima da sociedade ao mesmo tempo em que comprimiram o padrão de vida das partes restantes da estrutura social.
Pelo relatório anual sobre a riqueza no mundo produzido pelo banco Credit Suisse, o ano de 2015 tornou-se uma referência à marca da história recente. Isso porque a cada 100 pessoas no mundo, uma detém riqueza equivalente à soma das 99 restantes.
Dos mais de 4,8 bilhões de habitantes adultos que vivem em mais de 200 países no planeta terra, somente 0,7% do total de pessoas (34 milhões) concentra mais de 45% da riqueza do mundo, enquanto os 10% mais ricos monopolizam quase 90% de todos os ativos. A cada dois ricos no mundo, um reside nos Estados Unidos, seguido dos chineses e dos ingleses.
Para além da lógica de funcionamento da sociedade neoliberal no mundo, acresce destacar a força exercida pela dominância financeira no processo de acumulação de capital. O comportamento dos mercados cada vez mais especulativos como o financeiro e bursátil assumiu a condição necessária para sustentar o ciclo ascendente da riqueza concentrada.
Apesar da crise de dimensão global iniciada em 2008 e ainda sem solução à vista, a riqueza dos privilegiados se apresenta extremamente sensível às taxas de juros e variações das ações nas bolsas de valores. Tanto assim que menos de 90 das personalidades globais contabilizam o equivalente do que detém simplesmente a metade de toda a população mundial.
O Brasil com 168 mil milionários, ocupa o sétimo posto dos países com mais ricos no mundo. São 42 mil milionários a mais do que em todo o continente africano. Ademais, os milionários no Brasil representam 0,5% do mundo e 35% da América Latina.
Na projeção para os próximos cinco anos, a quantidade de milionários no Brasil deve subir 37%, o que representa a quantia de 229 mil personalidades. Ou seja, 61 mil novos milionários até 2020, quando se espera que economia brasileira não deva crescer acumuladamente mais do que 10% até lá.

Ameaçada de extinção, ave rara tem cabeça mais valiosa que marfim



Ele vem de uma ave raríssima e pouco conhecida chamada calau-de-capacete (Rhinoplax vigil, na nomenclatura científica), que habita florestas tropicais no leste da Ásia. E, como informa a correspondente Mary Colwell, essa ave magnífica está agora ameaçada de extinção.
Não seria boa ideia dar uma cabeçada em um calau-de-capacete. A ave pesa cerca de 3kg e tem um tipo de capacete natural, chamado de elmo, feito de queratina, uma proteína fibrosa, que se estende do bico ao crânio. Essa estrutura pode corresponder a cerca de 11% do peso total do pássaro.
Em todas as outras espécies de calau, há mais de 60 na África e Ásia, o elmo é oco. Mas no caso dessa espécie, ele é sólido. Os machos usam a estrutura em combates com outros machos e ambos os sexos a usam para extrair insetos de árvores apodrecidas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Portugueses protestam contra o novo acordo ortográfico

       No intuito de aproximar as diferentes variantes da língua portuguesa, o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990 e ratificado em 2008.
Previsto para entrar em vigor em 2009, ele foi adiado para 2016. Ou seja, a partir do ano que vem, todos os países de língua portuguesa deverão obedecer às normas nele estabelecidas.
No entanto, tal ideia não está sendo bem recebida em Portugal, onde milhares veem o acordo como uma imposição do Brasil. Isso porque uma de suas determinações estabelece o fim das consoantes mudas em palavras, como “acto” e “óptimo”, que passarão a serem escritas nas versões brasileiras “ato e “ótimo”.
Para muitos portugueses, a mudança fere uma das características que compõem o orgulho nacional. Além disso, há a queixa de que o acordo foi discutido apenas na esfera política, sem consultar a população.
É o que explicou em entrevista à BBC a professora de filosofia e escritora portuguesa Maria de Menezes.  “Os nossos governantes impuseram-nos um modelo que nada tem a ver conosco. E não é porque o Brasil fala assim que vão nos obrigar a fazê-lo. A língua evoluiu naturalmente no Brasil para essas alterações. Aqui em Portugal, não. Portanto, a imposição não tem fundamento.”
A mesma opinião é compartilhada pelo jurista Ivo Miguel Barroso, criador da página do Facebook “Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico de 1990”, que reúne 30 mil pessoas. “A população não foi ouvida quando o acordo foi firmado ou implantado, e temos certeza de que a maioria de nós, portugueses, é contrária a ele. Temos o direito de debater abertamente sobre um assunto tão importante, que tem influência direta no nosso país.”
A revolta resultou em uma campanha contra o acordo, liderada, principalmente pelo jornal Público, artistas, acadêmicos e políticos que saem às ruas em busca de assinaturas para aprovar um referendo popular que discuta o acordo.

Para ‘acordistas’ rejeição reflete complexo de inferioridade

Para Rui Tavares, escritor e ex-eurodeputado por Portugal, a forte rejeição ao acordo é parte de uma crise de autoestima portuguesa. “A visão extremada sobre o acordo é uma mera projeção dos portugueses em relação a suas próprias fraquezas. O país atravessa um momento de crise e isso acaba por fazer com que muita gente interprete qualquer coisa como um sinal de vulnerabilidade. Para mim, é um mistério o fato de algumas pessoas considerarem o acordo algo até humilhante. Isso revela uma visão complexada.”
Outro defensor do acordo, o professor catedrático Carlos Reis, diz que a dificuldade em aceitar as novas regras reflete a relutância de uma parcela do país em aceitar que Portugal deixou de ser “proprietário” do idioma para se tornar mais um “condômino” entre outros sete países.
“Convém não confundir a agressividade de algumas pessoas, e de um determinado jornal, em particular, que é das poucas exceções à regra, com a realidade das coisas. Outras exceções acontecem por ignorância e falta de preparação, não por vontade de contrariar o Acordo Ortográfico.”

O acordo e a mídia portuguesa

Um dos principais argumentos a favor do acordo é a ideia de que ele e abrirá as portas de outros países aos veículos de comunicação de Portugal, país que tem uma população de pouco mais de 10 milhões.
Segundo Miguel Gil, membro do conselho de administração do grupo Media Capital, um dos mais importantes de Portugal, o acordo permitirá a expansão das empresas de comunicação do país, principalmente para o território brasileiro. Tal interesse é corroborado pelos números: em 2013, o Brasil tinha 90 milhões de pessoas com acesso à internet, enquanto Portugal tinha apenas 5,7milhões. Em 2014, a publicidade na mídia gerou para o Brasil uma renda de R$ 121 bilhões, enquanto em Portugal o total foi de R$ 1,64 bilhão.
“A existência de um espaço comum para a língua portuguesa é absolutamente chave para a otimização das oportunidades e o aproveitamento cultural, social e econômico possibilitados por uma língua moderna, culta, viva e falada por quase 300 milhões de pessoas, das quais mais de 200 milhões estão no Brasil.”
No entanto, para o fundador do jornal Público, Nuno Pacheco, o argumento não passa de uma ilusão. Ele diz que o acordo não abrirá as portas do mercado brasileiro às empresas de comunicação portuguesas. “Esta é uma ilusão que foi criada para justificar as mudanças. O português do Brasil e o de Portugal seguiram caminhos distintos, tanto no vocabulário quanto na construção verbal, e o acordo não muda isso.”
Segundo Pacheco, a maior parte dos funcionários da mídia portuguesa é contra o acordo, mas obedece às novas regras porque “são profissionais e acabam aceitando o acordo, por lhes ser imposto por seus empregadores”. “A verdade é que, entre jornalistas e escritores portugueses, praticamente ninguém é a favor desse acordo.”

Fonte-opiniao

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

EUA: o "boom da lagosta"


       "A lagosta costumava ser uma iguaria cara, consumida por gente rica em  restaurantes refinados. Mas algo curioso está acontecendo no mercado desse crustáceo nos Estados.
Uma bonança na produção de lagosta americana está derrubando os preços e massificando o consumo de tal maneira que até o Mc Donald’s já começou a oferecer sanduíches feitos com o crustáceo.
Mas a popularização da lagosta também preocupa alguns especialistas, que apontam que o boom de produção só foi possível graças às mudanças climáticas que provocaram o aquecimento dos mares próximos à costa leste americana.
Cerca de 85% da lagosta consumida nos Estados Unidos vem de Maine, Estado na divisa com o Canadá que aumentou sua produção de maneira dramática nos últimos anos.
Trata-se de um dos Estados menos povoados dos EUA, com uma economia baseada em grande medida na pesca artesanal.
Os pescadores da região capturam as lagostas com pequenas armadilhas distribuídas em mar aberto, técnica muito parecida a utilizada por seus bisavós.
Não há cultivos comerciais do animal, nem "granjas marinhas" como no caso da produção de camarão ou salmão.
Também não há grandes navios fazendo pesca com redes - sistema que dizimou os cardumes de bacalhau.

Pesca sustentável
"A lagosta do Maine é um dos recursos marinhos mais sustentáveis que existem", disse à BBC Robert Steneck, pesquisador da Universidade de Maine.

Nos últimos anos, porém, algo mudou nas águas frias da região.
No ano passado, foram capturadas 56 toneladas de lagosta, seis vezes mais que em 1986. E, com isso, os preços caíram para algo entre US$ 3 e US$ 4 por libra (450 gramas) nos últimos dois anos.
"Desde 1985 os recordes de pesca foram quebrados quase todos os anos", diz Steneck.
"Estamos em meio a uma assombrosa bonança da lagosta", diz Andrew Pershing, pesquisador-chefe do Instituto de Pesquisas do Golfo do Maine.
Parte da explicação para essa bonança na produção de lagosta parece estar no manejo responsável que os pescadores de Maine fazem dos recursos marinhos.
Mas essa não é toda a história.
Segundo Steneck, o aumento da temperatura nos mares da região também teria criado condições "ideais" para a propagação da espécie.
Outro fator apontado por cientistas para o aumento do número de lagostas na costa do Maine é a degradação ambiental do Atlântico Norte, que teria reduzido drasticamente as populações de quase todas as espécies "inimigas" do crustáceo, começando pelo bacalhau.
O peixe teria sido "virtualmente aniquilado" (da região), segundo Steneck.


E o futuro?

O problema é que ninguém pode adivinhar como o ecossistema da região vai continuar reagindo a essas mudanças. E alguns temem que o "boom da lagosta" tenha um fim - o que teria um impacto significativo nas atividades pesqueiras locais.

"Há alguns sinais preocupantes", diz Steneck. "As condições ideais para a procriação de lagosta estão se movendo mais para o norte."
O aquecimento global e o aumento da temperatura do mar, afinal, são fenômenos que estão apenas começando.
Pershing também vê sinais de alerta.
Ele diz que colegas têm detectado nos últimos anos uma diminuição no número de filhotes de lagosta na região, o que poderia levar a um declínio da produção em 5 ou 10 anos.
"Mas nada catastrófico" no momento, diz ele.
"O que acontecerá no longo prazo com esse recurso pesqueiro hoje ainda é tema de pesquisa", Pershing.
Enquanto isso, os americanos fãs de lagosta têm motivo para comemorar.
"O Maine está produzindo a lagosta mais barata do mundo", diz Steneck.
Ele estima que as exportações do crustáceo para países como a China podem aumentar, mas não o suficiente para acabar com a bonança incomum  que levou a lagosta dos pratos dos restaurantes mais elegantes de Nova York ou Washington para o McDonald's.
Resta saber se a lagosta retornará ao status de "comida de pobre" que tinha nos Estados Unidos até meados do século 20. Era um alimento dado a prisioneiros - que reclamavam de serem forçados a comer lagosta. Em séculos “anteriores, ela era usada como fertilizante e isca de pesca.”