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domingo, 16 de março de 2014

BIOIMPRESSÃO: a fabricação de tecidos já é uma realidade

Em uma sala moderna e limpa, uma cientista usando um traje totalmente vedado, uma touca e luvas azuis está preparando alguns cartuchos de impressão – preenchidos não com tinta, mas sim com um líquido leitoso e viscoso.
Próximo a ela se encontra um computador conectado a um dispositivo parecido com uma grande máquina de sorvete, com a diferença de que cada um dois seus dois bocais são formados por uma seringa com uma agulha comprida. Quando a cientista aperta o botão “efetuar programa”, as agulhas liberam não sorvete de chocolate ou baunilha, mas uma pasta de células vivas. Essas “biotintas” são depositadas em camadas precisas uma sobre a outra, sendo que entre elas é disposto um gel que forma um molde temporário em torno das células.
Quarenta minutos depois o trabalho está acabado. A depender da escolha de biotinta e padrão de impressão, o resultado pode ser quaisquer números de estruturas biológicas tridimensionais. Nesse caso, trata-se de uma amostra de tecido pulmonar vivo de cerca de 4 cm de largura contendo cerca de 50 milhões de células.
Desde sua criação em 2007, pesquisadores da Organovo, sediada em San Diego, fizeram experimentos com a impressão de diversos tipos de tecidos, inclusive partes de um pulmão, rim e músculo cardíaco. Agora a primeira empresa negociada em bolsa de bioimpressão 3D está se preparando para iniciar a produção. Em janeiro amostras do seu primeiro produto – lâminas de tecido de fígado humano – foram entregues a um laboratório externo para que testes fossem realizados. Esses foram impressos em séries de 24 e levam cerca de 30 minutos para serem produzidos, afirma Keith Murphy, executivo-chefe da empresa. No fim deste ano a Organovo pretende dar início às vendas comerciais.
A invenção da impressão 3D nos anos 80 forneceu a tecnologia hoje empregada para fabricar tudo – de peças de avião a próteses de membros humanos. Mas a promessa da bioimpressão 3D é ainda maior: criar tecidos humanos – camada a camada – para pesquisa, desenvolvimento de remédios e experimentos, e ao fim como órgãos substitutos, tais como rins ou pâncreas, para pacientes que necessitam desesperadamente de um transplante. Órgãos bioimpressos poderiam ser feitos a partir das próprias células do paciente e portanto não seriam rejeitados por seus sistemas imunológicos. Eles também poderiam ser fabricados sob demanda.

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