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domingo, 8 de dezembro de 2013

Sonda britânica poderá pousar sobre um cometa dez anos após seu lançamento

Precisamente às dez da manhã do dia 20 de janeiro do próximo ano, um pequeno chip eletrônico dentro da sonda Rosetta será acionado. A sonda estará a várias centenas de milhões de quilômetros da Terra, próxima do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, uma bola de gelo, poeira e materiais orgânicos que orbita o Sol a cada seis anos e meio. E ela pode ser a primeira nave a finalmente pousar sobre um cometa.
O despertar eletrônico da sonda europeia, que está hibernando há dois anos e meio, irá acionar circuitos e instrumentos e trazê-la lentamente de volta à vida, em preparação para o seu desembarque no cometa, um feito inédito na história da exploração espacial.
Os cometas são feitos de escombros que sobraram do nascimento do sistema solar, há 4,6 bilhões de anos. Cientistas esperam que, estudando-os de perto, eles possam ajudar a reconstruir a história de nossa própria vida no espaço. Para completar, muitos astrônomos acreditam que a maior parte da água que compõe os nossos oceanos foi fornecida por cometas que colidiram com a Terra durante seu passado remoto. Outros argumentam que os materiais orgânicos complexos – incluindo aminoácidos – também foram trazidos ao nosso planeta por esses visitantes celestes e podem ter desempenhado um papel importante no primeiro aparecimento da vida aqui.
O problema é que os cometas são objetos complicados para naves espaciais chegarem perto. Eles têm órbitas imprevisíveis e queimam de forma intensa e rápida quando passam perto do Sol. Missões anteriores tentavam colidir sondas com os cometas, na esperança de que o material expelido pudesse revelar pistas sobre seus interiores.
Rosetta, construída e lançada pela agência espacial europeia a um custo de 1 bilhão de euros, está em uma liga diferente. Ela foi projetada não para interceptar, mas para perseguir um cometa, em particular um com uma conhecida órbita estável ao redor do Sol.  Lançado em 2 de março de 2004, depois de nove anos, a caçadora de cometas da Europa está agora se aproximando de seu alvo e diminuindo a velocidade para alcançá-lo.  “Quando nós apanharmos Churyumov – Gerasimenko, Rosetta estará se movendo mais ou menos na mesma velocidade que o cometa”, diz Matt Taylor, cientista do projeto.
Em agosto, a sonda deve circular seu alvo, mapear sua superfície e, finalmente, em novembro, colocar uma sonda bem menor, chamado Philae, no cometa, que tem cerca de 2,5 km de largura. A sonda vai analisar as nuvens de vapor d’água e gases que vão entrar em erupção no espaço quando o  67P aquecer e lançar uma grande cauda brilhante de gás.
Mas, primeiro, a chamada de ativação tem que funcionar. “Se o alarme falhar e Rosetta não despertar, estaremos em apuros”, diz Mark McCaughrean, conselheiro científico sênior da agência. “No dia, todos nós estaremos esperando na sala de controle, ansiosos por ouvir um sinal de Rosetta. No entanto, vai demorar várias horas para o ofício completar os seus procedimentos de ativação antes de transmitir uma mensagem para a Terra. Será um dia estressante”, prevê o cientista.
Parte do sistema de Rosetta teve que ser desligado em 2011. A nave viajou boa parte do tempo próxima do Sol, numa distância que permitia a alimentação de seus painéis solares. Porém, quando teve que se afastar para fazer seu encontro com 67P, houve medo que faltasse energia.
Outro problema é o cometa em si. Ele foi escolhido porque tem uma rota razoavelmente conhecida. Mas há uma desvantagem para a escolha de um cometa que passa a maior parte de sua órbita dentro do sistema solar: seus constituintes voláteis, que dão base para a análise, podem evaporar muito rapidamente, pelo grande calor. “Em última análise, isso pode mudar a superfície gelada de um cometa até que ele se parece mais com uma bolha de asfalto, o que não é o ideal”, diz McCaughrean.
Felizmente, as observações indicam que 67P/Churyumov-Gerasimenko mudou para a sua órbita atual há relativamente pouco tempo, depois de um encontro próximo com Júpiter tê-lo puxado para o interior do sistema solar. A sua superfície deve ser relativamente cristalina como resultado desse acontecimento.
Mais um problema é a gravidade. O cometa é tão pequeno que seu campo gravitacional é forte o suficiente apenas para segurar Philae em sua superfície. A pequena sonda terá de se ancorar ao cometa com um arpão para evitar ser lançada para o espaço. Da mesma forma, a sua nave-mãe Rosetta terá que usar seus propulsores para circundar o cometa porque o campo gravitacional dele é muito fraco para manter a sonda em órbita.
Philae está equipado com uma broca que vai transportar amostras da superfície para a sonda, na qual estes pequenos pedaços do cometa serão testados por diferentes dispositivos. Falta menos de um ano para o encontro, e os cientistas estão ansiosos.  “Esta é uma missão que está empurrando os limites da tecnologia espacial,  o que significa que há riscos envolvidos. Nós simplesmente não sabemos o que iremos encontrar”, diz o professor Ian Wright, da Open University, que colabora com o projeto. “Eu tenho trabalhado no projeto há 20 anos, mas tudo poderia dar errado na última hora. Esse ‘despertar’ em janeiro pode ser a primeira de muitas coisas a dar errado. E isso pode afetar os nervos”.



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