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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eodromaueus

“É o deleite de qualquer paleontólogo acordar de manhã, sair da barraca e se ver cercado pelo mais extraordinário cemitério fóssil que se possa imaginar”, escreveu em 1958 o paleontólogo americano Alfred Romer, a respeito dos tesouros do Vale da Lua. Como o nome indica, o Vale da Lua é uma região árida e desolada, situada ao pé da cordilheira dos Andes, na região de Ischigualasto, noroeste da Argentina. Suas rochas, desprovidas de vegetação, são responsáveis pela alegria de Romer e de gerações de paleontólogos. As rochas do Vale da Lua têm 230 milhões de anos. Delas saíram os fósseis dos dinossauros mais antigos conhecidos. No período Triássico, a região era uma planície alagada com florestas de araucárias de 40 metros de altura. Naquele pântano vivia um pequeno dinossauro bípede e carnívoro, o Eodromaeus (o “corredor da alvorada”, em grego). Do focinho à ponta da cauda, o Eodromaeus tinha um metro. Seus dentes eram serrilhados, as garras afiadas e, possivelmente, era coberto de penas. A espécie é considerada o antepassado comum dos dinossauros carnívoros - cujas estrelas são o Tiranossauro rex e o velociraptor. O Eodromaeus seria também o mais remoto ancestral de todas as aves, que descendem dos dinossauros carnívoros.



A descrição do Eodromaeus foi publicada semana passada na revista Science. A nova espécie foi pesquisada a partir de dois esqueletos parciais, achados pelo paleontólogo argentino Ricardo Martínez, da Universidade Nacional de San Juan, e seu colega americano Paul Sereno, da Universidade de Chicago. Em 1996, Martínez e Sereno notaram uma pequena vértebra petrificada aflorando no solo endurecido. Foram necessários 14 anos de cuidadosa preparação para libertar da rocha o delicado fóssil. “Foi um espécime extraordinariamente difícil de limpar”, diz Sereno.
Eodromaueus seria o ancestral comum dos dinos 
carnívoros e também de todas as aves

“O novo espécime é notável”, diz o paleontólogo americano Sterling Nesbitt, da Universidade de Washington. “É completo o bastante para contribuir substancialmente ao nosso conhecimento” dos primeiros dinossauros. A descoberta é importante por não deixar dúvida de que, há 230 milhões de anos, o Eodromaeus era um predador. Vale dizer que, à época, os dinossauros haviam evoluído o suficiente para divergir nos três grandes ramos conhecidos. Dois grupos eram formados por quadrúpedes herbívoros, o dos pescoçudos gigantes (como o titanossauro) e o dos parrudões chifrudos (como o triceratops). O terceiro grupo era bípede e carnívoro. O Eodromaeus é seu mais antigo representante. Os três ramos evoluíram de um ancestral comum, o primeiro dinossauro. Sua identidade é um mistério. A descoberta do Eodromaeus fornece uma pista. Fosse ele quem fosse, o primeiro dinossauro viveu há mais de 230 milhões de anos. Onde e quando? Isto ainda ninguém sabe.
Fonte - epoca

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