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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Portugueses protestam contra o novo acordo ortográfico

       No intuito de aproximar as diferentes variantes da língua portuguesa, o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990 e ratificado em 2008.
Previsto para entrar em vigor em 2009, ele foi adiado para 2016. Ou seja, a partir do ano que vem, todos os países de língua portuguesa deverão obedecer às normas nele estabelecidas.
No entanto, tal ideia não está sendo bem recebida em Portugal, onde milhares veem o acordo como uma imposição do Brasil. Isso porque uma de suas determinações estabelece o fim das consoantes mudas em palavras, como “acto” e “óptimo”, que passarão a serem escritas nas versões brasileiras “ato e “ótimo”.
Para muitos portugueses, a mudança fere uma das características que compõem o orgulho nacional. Além disso, há a queixa de que o acordo foi discutido apenas na esfera política, sem consultar a população.
É o que explicou em entrevista à BBC a professora de filosofia e escritora portuguesa Maria de Menezes.  “Os nossos governantes impuseram-nos um modelo que nada tem a ver conosco. E não é porque o Brasil fala assim que vão nos obrigar a fazê-lo. A língua evoluiu naturalmente no Brasil para essas alterações. Aqui em Portugal, não. Portanto, a imposição não tem fundamento.”
A mesma opinião é compartilhada pelo jurista Ivo Miguel Barroso, criador da página do Facebook “Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico de 1990”, que reúne 30 mil pessoas. “A população não foi ouvida quando o acordo foi firmado ou implantado, e temos certeza de que a maioria de nós, portugueses, é contrária a ele. Temos o direito de debater abertamente sobre um assunto tão importante, que tem influência direta no nosso país.”
A revolta resultou em uma campanha contra o acordo, liderada, principalmente pelo jornal Público, artistas, acadêmicos e políticos que saem às ruas em busca de assinaturas para aprovar um referendo popular que discuta o acordo.

Para ‘acordistas’ rejeição reflete complexo de inferioridade

Para Rui Tavares, escritor e ex-eurodeputado por Portugal, a forte rejeição ao acordo é parte de uma crise de autoestima portuguesa. “A visão extremada sobre o acordo é uma mera projeção dos portugueses em relação a suas próprias fraquezas. O país atravessa um momento de crise e isso acaba por fazer com que muita gente interprete qualquer coisa como um sinal de vulnerabilidade. Para mim, é um mistério o fato de algumas pessoas considerarem o acordo algo até humilhante. Isso revela uma visão complexada.”
Outro defensor do acordo, o professor catedrático Carlos Reis, diz que a dificuldade em aceitar as novas regras reflete a relutância de uma parcela do país em aceitar que Portugal deixou de ser “proprietário” do idioma para se tornar mais um “condômino” entre outros sete países.
“Convém não confundir a agressividade de algumas pessoas, e de um determinado jornal, em particular, que é das poucas exceções à regra, com a realidade das coisas. Outras exceções acontecem por ignorância e falta de preparação, não por vontade de contrariar o Acordo Ortográfico.”

O acordo e a mídia portuguesa

Um dos principais argumentos a favor do acordo é a ideia de que ele e abrirá as portas de outros países aos veículos de comunicação de Portugal, país que tem uma população de pouco mais de 10 milhões.
Segundo Miguel Gil, membro do conselho de administração do grupo Media Capital, um dos mais importantes de Portugal, o acordo permitirá a expansão das empresas de comunicação do país, principalmente para o território brasileiro. Tal interesse é corroborado pelos números: em 2013, o Brasil tinha 90 milhões de pessoas com acesso à internet, enquanto Portugal tinha apenas 5,7milhões. Em 2014, a publicidade na mídia gerou para o Brasil uma renda de R$ 121 bilhões, enquanto em Portugal o total foi de R$ 1,64 bilhão.
“A existência de um espaço comum para a língua portuguesa é absolutamente chave para a otimização das oportunidades e o aproveitamento cultural, social e econômico possibilitados por uma língua moderna, culta, viva e falada por quase 300 milhões de pessoas, das quais mais de 200 milhões estão no Brasil.”
No entanto, para o fundador do jornal Público, Nuno Pacheco, o argumento não passa de uma ilusão. Ele diz que o acordo não abrirá as portas do mercado brasileiro às empresas de comunicação portuguesas. “Esta é uma ilusão que foi criada para justificar as mudanças. O português do Brasil e o de Portugal seguiram caminhos distintos, tanto no vocabulário quanto na construção verbal, e o acordo não muda isso.”
Segundo Pacheco, a maior parte dos funcionários da mídia portuguesa é contra o acordo, mas obedece às novas regras porque “são profissionais e acabam aceitando o acordo, por lhes ser imposto por seus empregadores”. “A verdade é que, entre jornalistas e escritores portugueses, praticamente ninguém é a favor desse acordo.”

Fonte-opiniao

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