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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ESCASSEZ HÍDRICA MUNDIAL

A ONU instituiu 2013 como o ano internacional da água. Nada mais justo, já que especialistas apontam a escassez do “ouro azul” como um dos principais problemas ambientais serem enfrentados pela humanidade ao longo do século XXI. A falta de água figura, juntamente com o aquecimento global, no topo da lista de prioridades ambientais das Nações Unidas.
Não foi a primeira – e, certamente, não será a última que a ONU declarará um ano dedicado à escassez de água no mundo. Atualmente, pelo menos 1,1 bilhão de pessoas carecem de acesso à água potável. Cotidianamente, milhões de pessoas pobres, especialmente mulheres, gastam um tempo enorme à sua procura. A falta de saneamento básico atinge cerca de 2,5 bilhões de seres humanos e quase dois milhões de crianças morrem anualmente por infecções transmitidas pelo consumo de água de má qualidade. São números aterradores, que captam os contornos de um massacre silencioso.
Diante desse quadro dramático, a ONU se engajou em reduzir pela metade o número pessoas que não têm acesso a serviços vitais como água potável e saneamento básico. Os Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento, compromisso formalizado no ano 2000 por mais de 190 países-membros da organização, infelizmente não serão atingidos até 2015, o prazo estabelecido para seu cumprimento.
De uma forma geral, expressivo número de países parece ignorar que um melhor acesso ao precioso líquido protegeria a vida de milhões de habitantes, especialmente das áreas rurais, que hoje sofrem com a desnutrição e estão cada vez mais ameaçados pela escassez hídrica. Procurando reverter essa situação, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) exortou a todos os países que pusessem a água no topo de suas prioridades.
À primeira vista, é um paradoxo discutir a escassez de água num planeta que tem cerca de 75% de sua superfície recoberta por massas líquidas. Contudo, a água doce representa apenas 2,5% desse total, constituído predominantemente por águas oceânicas. Mais ainda: só uma minúscula parcela – cerca de 1% – da água doce presente nos rios, lagos, aquíferos e atmosfera é acessível ao consumo humano. O restante do imenso “estoque” está imobilizado nas geleiras, calotas polares e lençóis subterrâneos profundos.
A água potável é um recurso finito, que se reparte muito desigualmente pela superfície do planeta. Por seu ciclo natural, a água é um recurso renovável, mas suas reservas não são ilimitadas. Se o consumo continuar crescendo como nas últimas décadas, todas as águas superficiais estarão comprometidas em 2100.
Ao longo do último século, a população mundial triplicou, enquanto o consumo global de água foi multiplicado por sete. A quantidade de água consumida nas residências é um significativo indicador do nível de vida das populações. Nos Estados Unidos e no Canadá, o uso anual per capita em áreas residenciais varia entre 200 e 300 metros cúbicos e na Europa Ocidental gira ao redor de 70 a 90 metros cúbicos. Na África subsaariana, dependendo da região, entre 5 e 30 metros cúbicos. Contudo, a expansão do consumo reflete, principalmente, a ampliação das áreas cultivadas com irrigação e, no caso dos países ricos, o aumento do uso industrial. Além disso, nas últimas cinco décadas, a poluição dos mananciais reduziu dramaticamente as reservas hídricas.
Atualmente, pelo menos metade das terras emersas já enfrenta problemas de penúria em água – o chamado estresse hídrico. No Oriente Médio e em áreas da Ásia Central, Índia e China, o estresse hídrico decorre das limitações físicas das reservas superficiais e subterrâneas de água em relação às necessidades da população. Na Líbia, projetos de irrigação extensiva em terras áridas, baseados em poços artesianos, estão secando os aquíferos. No Egito, a irrigação depende das águas do rio Nilo e entra em conflito com as demandas domésticas e industriais. Nos Estados Unidos, o vasto aquífero Ogallala, no estado de Nebraska, pode secar completamente em poucas décadas.
A escassez de água resulta da combinação, por vezes perversa, de aspectos naturais, demográficos, sócio-econômicos e até culturais. Os estoques de água potáveis hoje disponíveis para uso humano dariam para sustentar bem mais indivíduos que os mais de sete bilhões das pessoas que vivem hoje no planeta. Contudo, o “ouro azul” não está distribuído de forma equânime pelas regiões do mundo. Apenas nove entre os quase 200 países que compõem a comunidade internacional concentram cerca de 60% dos recursos hídricos da Terra. Muitos dos demais enfrentam o fenômeno que já se propõe denominar como “pobreza de água” .


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