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sábado, 2 de julho de 2011

Garoto tetraplégico brasileiro poderá dá o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014


O neurocientista Miguel Nicolelis, um dos pesquisadores brasileiros de maior renome na comunidade científica internacional, apresentou nesta quarta-feira (29) ao público de São Paulo seu primeiro livro: “Muito Além do Nosso Eu”, editado pela Companhia das Letras.

Na obra, Nicolelis mostra a evolução dos estudos sobre o cérebro e chega a seu principal campo de atuação, que é a interação das máquinas com o sistema nervoso, ou interface cérebro-máquina. O cientista conta como pretende realizar o sonho de fazer com que um garoto tetraplégico brasileiro dê o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014.

O sonho combina com o perfil do pesquisador da Universidade de Duke. Mesmo morando nos EUA há mais de 20 anos, Nicolelis tem projetos sociais para o desenvolvimento científico no Nordeste, sediados no Rio Grande do Norte. Além disso, sua paixão pelo futebol fica evidente durante a palestra, com inúmeras referências ao Palmeiras, clube de coração do paulistano.

Teoria distribucionista
O neurocientista se enquadra numa corrente que ele chama de distribucionista – em oposição à corrente localizacionista. O que Nicolelis quer dizer com isso é que um neurônio não pode ser analisado de forma isolada, um neurônio sozinho não produz nenhum comportamento. Para ele, o cérebro funciona como uma democracia, e é preciso que os neurônios elejam a ação que será tomada.

Com fios metálicos inseridos entre os neurônios, a equipe de seu laboratório conseguiu captar as correntes dentro do cérebro e detalhar a atividade neural de macacos.

Nicolelis mostrou os resultados de uma experiência feita com uma espécie de videogame. Com um joystick, sua macaca Aurora deveria posicionar um cursor dentro de um círculo. Como recompensa, ela ganhava um pouco de suco de laranha.

Os cientistas registraram o que se passava dentro do cérebro dela. Em seguida, retiraram o joystick e passaram a controlar um braço mecânico com os pensamentos de Aurora para fazer a mesma função. Em pouco tempo, a macaca já fazia a atividade apenas com os pensamentos, sem precisar mexer nenhum músculo.

Experiências com avatares também funcionaram. Numa delas, um braço virtual controlado pelos pensamentos de um macaco conseguiu até tatear objetos, numa interface cérebro-máquina-cérebro, capaz de mandar os impulsos nervosos de volta.

Outro experimento com macacos do laboratório de Nicolelis foi capaz de emitir sinais nervosos pela internet. Um macaco nos EUA andava na esteira e, assim, controlava um robô humanoide que estava no Japão.


‘The Walk Again Project’
Baseado no sucesso dos testes com animais, Nicolelis está confiante em fazer com que os impulsos nervosos possam fazer que um paraplégico ou um tetraplégico ande novamente – desde que a lesão seja na medula, e não no cérebro. O programa, chamado “The Walk Again Project” (projeto andar novamente, em inglês), é uma parceria entre instituições de Duke (EUA), Lausanne (Suíça), Berlim, Munique (ambas na Alemanha), Natal e São Paulo.

Os cientistas já têm tecnologia para imitar os sinais nervosos humanos, logo seria possível fazer com que o cérebro envie esses sinais para algum equipamento. E esse equipamento já está sendo desenvolvido. É um exoesqueleto, uma veste robótica que reveste o corpo e, assim, possibilita que uma pessoa mova membros que antes estavam paralisados.

Os primeiros testes com essa veste devem ser feitos ainda neste ano, com macacos. A previsão é de que o projeto seja concluído no fim da década. O pontapé inicial sonhado por Nicolelis seria apenas a primeira apresentação.

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