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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Flanelinhas: cartões, que custam R$ 1,00 são vendidos a R$ 2,00

A região central do Recife conta com 2.500 vagas de estacionamento dentro da Zona Azul, sistema de controle de vagas em que o cartão custa R$ 1. Somente no Bairro do Recife, são 736 vagas neste sistema, quase todas controladas por flanelinhas, que cobram o dobro do valor, no mínimo, pelo cartão de estacionamento durante o dia. À noite, o valor cobrado é ainda maior, chegando a R$ 10 em algumas localidades.
No ano passado, a prefeitura cadastrou os flanelinhas, que só podem atuar no Bairro do Recife com um crachá de identificação, cobrado em fiscalizações desde janeiro. A medida visava diminuir as ameaças aos motoristas e cobranças abusivas. Na prática, no entanto, ainda há aqueles que esquecem o crachá e outros que sequer usam o documento.
Nas ruas do bairro o que se ver os flanelinhas trabalhando livremente, sem identificação, na Rua da Moeda, Apolo e Mariz e Barros. A situação encontrada é semelhante à que ocorre na Rua do Bom Jesus, onde alguns até ficam com a chave dos carros e saem para procurar vaga para os donos.
A corretora de seguros Cláudia Santos conta que se sente ameaçada e, por isso, acaba cedendo, pagando sempre aos flanelinhas. “Eles ameaçam, intimidam você. Falam que, se você não der, eles podem arranhar seu carro, você pode não sair do jeito que você chegou... É bem forte, bem doloroso”, relata.
O gerente de expansão Paulo Gomes sempre deixou o carro com os guardadores, muitas vezes sem o freio de mão puxado, para que o flanelinha pudesse ajustar o veículo à vaga. Ele conta que nunca teve problemas, embora não soubesse quem eram aquelas pessoas. “Eles estavam sem crachá, não tinham nada. Mas me davam o cartão da Zona Azul”, diz.
O guardador de carros Roberto José da Silva foi flagrado pela reportagem trabalhando sem o crachá, mas afirmou que tinha esquecido a identificação em casa. “Eu fiz o cadastramento da prefeitura, mas saí de casa atrasado e esqueci”, se desculpa.
Lucas Cavalcanti é administrador de empresas e reclama que o trabalho dos flanelinhas não facilita a procura de vagas. “Deveria ter outra maneira para os motoristas estacionarem. Estou aqui há um tempo e ainda não achei vaga. E, se de dia não tem, de noite é pior ainda”, garante.
Trabalhando há 30 anos no Bairro do Recife, o guardador de carros Luís Carlos da Silva acredita que se é regra, é preciso ser obedecida – por isso, nunca esquece a identificação. “No começo dos crachás, vinha a fiscalização. Mas não está mais vindo”, denuncia.


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