Redes Social



twitterfacebookgoogle pluslinkedinrss feedemailhttps://www.wowapp.com/w/andrecafe/joinhttps://www.instagram.com/andrecafee/

sábado, 5 de março de 2016

O tríplex da família Marinho também está sendo investigada pelo Ministério Público Federal, mas na surdina

A mansão de veraneio dos herdeiros do magnata da Globo Roberto Marinho também é um tríplex e também está sendo investigada pelo Ministério Público Federal, mas num processo em ritmo bem mais light e sem publicidade.
Os arquitetos que a projetaram e os engenheiros que a ergueram zombaram das leis ambientais: ela está totalmente irregular.
Das fundações ao teto, localiza-se em área desmatada de um parque federal. E parte, sobre terra pública, grilada logo por quem não precisa – a família mais rica do Brasil.
A mansão tem um andar quase subterrâneo e outros dois empilhados de forma engenhosa, parece que não se tocam. Fica na baía de Paraty, na costa do Rio.
Ela foi alvo de fiscais do Ministério de Meio Ambiente (MMA) desde o início da construção, em 2008.
A batalha parecia terminada quando a Vara Federal de Angra dos Reis mandou demolir a mansão, em 2010, poucos meses depois de concluída.
Mas os Marinhos não se curvaram à Justiça.
Seus advogados recorreram e fugiram das intimações. Eles a mantiveram em pé por seis anos e vão lutar para que fique assim até o último juiz.
Como um caso tão pequeno se arrasta no Judiciário por mais tempo do que o da Lava Jato só pode ser explicado pela nova teoria do “abuso do direito de defesa”.
A sentença da primeira instância não tem previsão para sair, mas os desembargadores do TRF já devem estar se acotovelando pra ver quem terá a sorte de pegar o caso na segunda.
É surpreendente que o MPF não tenha deixado escapar vazamentos. Partes do processo ainda estão sob segredo de justiça. Para vê-lo, use o código 201051110009517 no site.

Mamute de concreto

O terreno onde está à mansão é duas vezes maior do que o daquele sítio de Atibaia que tem aparecido no noticiário da Globo nos últimos dias.
Seu tamanho original era menor, apenas 50 mil m². Corretores da cidade disseram que os Marinho compraram mais áreas lindeiras, para evitar que gente comum quebre a privacidade da mansão acessando por morros e costões.
A mansão é tão pesadona e forte que parece ter sido feita para durar mil anos. Tem 1.300 m² de concreto, capaz de resistir a um tsunami.
Caberiam dentro dela três daqueles tríplex do Guarujá – veja detalhes no site dos arquitetos.
Além de estar sobre natureza morta, a mansão se projeta das pedras para o mar. Se arquitetura quer dizer alguma coisa, ela parece um navio de conquistadores, senão uma frota inteira.
Apesar de localizada na praia de Santa Rita, na costa do Rio de Janeiro, é mais conhecida no circuito dos ricos e famosos por seu nome em inglês: “Paraty House”.
A mansão é tida como joia da arquitetura moderna tupiniquim desde a prancheta. Assim que abriu as portas para os primeiros convivas foi premiada por uma revistinha inglesa de design, a Wallpaper.
A Paraty House oferece aos seus ocupantes uma espetacular imersão na natureza intocada, quer dizer, está intocado o que eles deixaram depois de desmatar uma parte, dar uma raspada nas pedras e cortar o cocuruto do morro para ela ser erguida.
Mesmo assim, o terreno ainda é um naco magnífico da Mata Atlântica, dentro da área de preservação de Cairuçu – puro verde, como no tempo das caravelas. Só se vê a casa quando se chega perto, por mar ou voando. Veja no site do MMA.
Por esses dias quem mais está usando a mansão são netos e bisnetos do magnata.
Uma faxineira, casada com o irmão de um jardineiro, contou ao DCM que os três filhos de Marinho, donos do Grupo Globo, se afastaram dela, da mansão, não da faxineira, devido à publicidade negativa provocada pelo processo do MPF.
Os procuradores investigam tão rigorosamente quanto possível o crime ambiental de desmatamento para erguer mansão, piscina, parquinho, aquashow e heliponto.
O encarregado do inquérito trocou várias vezes porque o caso não tem força-tarefa, nem procuradores exclusivos, atrasando as coisas. Foi no andar do processo que se descobriu a grilagem de uma área pública: os donos da mansão privatizaram na marra a pequena praia de Santa Rita, reservada para uso exclusivo de seus pimpolhos.
A piscina foi erguida direto na areia da praia, é show de bola, mas ilegal, sem falar na ideia de jerico de ter uma piscina salgada a 30 passos do mar.
Os Marinho ergueram na Santa Rita também aquashow tubular, ancoradouro para jet ski, mansãozinha de árvore, combo balanço-gangorra-escorregador e um depósito para as pranchas de surf e banana boats – assim a criançada e papais se poupam do complicado leva e traz dos brinquedos. Tudo ilegal.
Para manter os brinquedos na praia sem que ninguém se sinta tentado a usá-los, os Marinho contrataram seguranças armados. São dois homens em turnos de 12 horas, 7x30x365. Eles intimidam quem desembarca na areia, mas não há registro de violência. Só botam o povão para correr, coisa que ninguém ousaria fazer no Leblon.
Se a luta pela praia tem alguma justificativa deve ser pela qualidade da água. Este repórter esteve lá na semana do carnaval e ela estava simplesmente deliciosa.
Morninha, limpa, transparente, calma. O fundo tem areia igual de limpa, dá vontade de juntar alguns punhados e levar para aquários, afinal, a areia é do povo.
A prainha é pequena, 83 passos largos de costão a costão, entre o trapiche de jet ski e o ancoradouro dos iates. Tem brisa permanente, garante quem conhece a região. Ela está de frente para o noroeste, pega todo sol da manhã e sombra ao entardecer, com o fresquinho de graça, oferta da Mata Atlântica.
Os ricaços que a desfrutam não precisam passar aquele abafamento e sol quente que o povão enfrenta em locais apinhados, nem arrastar guarda-sol: amendoeiras frondosas e palmeiras garantem sombra eterna.
A praia é farofeiros free, uma lancha cobra até 350 reais pelo percurso de 15 minutos entre o cais histórico de Paraty e a House. De vez em quando algum desavisado salta nela, só para ser corrido pelos guardinhas.
As crianças dos Marinhos e seus amiguinhos não sentem falta dos vendedores ambulantes. Elas podem beber água de coco colhido no pé. Claro que não tem o agito de Copacabana, mas pelo menos a areia está sempre varrida e sem papel de picolé.
Como se não bastasse desfrutar deste pedaço do paraíso, a vida intramuros é de um conforto que a gente comum pode apenas sonhar – preste atenção nas suítes feitas com lascas de árvores e fotos completas da cozinha naquele site dos arquitetos.
Óbvio que tal cozinha não é para alguém fritar um ovo com arroz. Sempre que a family vai veranear provoca azáfama, correria com atrapalhação, entre os empregados, para abastecer freezers e prateleiras. Em geral, um chef escolhido entre os melhores do país acompanha a comitiva.
A House dispõe de várias embarcações de serviço e recreio. O Indiana X que estava atracado lá no dia da reportagem era apenas para os seguranças e domésticos.  Vale 200 mil reais, na avaliação do comandante da lancha deste repórter.
A família, quando não voa direto para seu heliponto, usa um tremendo iatezinho compacto Ferretti 40, os modelos antigos à venda no Mercado Livre valem um tríplex. Os iates mais novos, bem equipados, podem valer até 10 cotas daquela cooperativa imobiliária. O Ferretti dos Marinho não estava no porto e não pode ser avaliado.
O Ferretão, como foi apelidado pelo comandante Bradock, que já prestou serviços à família, é usado quando a prainha privatizada está sob ataque de farofeiros ou sofrendo das raras fiscalizações federais – aí ele navega para outros points privados.
Não se sabe pra onde porque a prefeitura de Paraty, ao imprimir mapas para turistas e escuneiros, fez a cortesia de omitir a (as) praia (s) dos Marinho.











Fonte-redebrasil

Nenhum comentário:

 
BLOG DO ANDRÉ CAFÉ
SÓ JESUS SALVA
//