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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

JUÍZA DORMIU SEIS MESES EM PONTO DE ÔNIBUS

Sem se abater ou desanimar, a juíza Antonia Marina Faleiros, de 52 anos, conseguiu alcançar a realização profissional, mesmo com todas as dificuldades encontradas pelo caminho.
A história dela virou inspiração no meio jurídico por mostrar que o crescimento é possível, desde que haja determinação.
Ainda criança, Antonia cuidava dos irmãos e trabalhava na lavoura de cana para ajudar os pais. Depois, passou a atuar como empregada doméstica quando descobriu o mundo dos concursos.
Nascida no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, Antonia era a mais velha de quatro irmãos, e cuidava da casa quando os pais iam trabalhar.
Naquela época, com uns 6 ou 7 anos, o sonho dela era ter um caderno de arame espiral para estudar e um sapato para ir à festa da padroeira da cidade.
Ela levantava de madrugada para preparar a marmita do pai, trabalhador braçal do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), e ia para escola descalça.
Aos 14 anos, ela começou a trabalhar na lavoura para ajudar no sustento da casa.
Hoje, mais de quarenta anos depois, tudo parece tão romântico. A realidade é que não tinha graça nenhuma. Na região onde nasci, era comum o recrutamento de pessoas para trabalhos sazonais. Os ‘gatos’ como eram chamados os agenciadores de mão de obra saíam de comunidade em comunidade anunciando o trabalho como corte de cana, colheita de café, reflorestamento e ‘contratando’ as pessoas, conta.
A família ficava no local durante o período de colheita e, depois, retornava para a cidade. A juíza lembra que os alojamentos eram improvisados, não havia privacidade para banhos ou necessidade fisiológicos e, muito menos, segurança, condição que resultou no abuso sexual de algumas jovens.
Não aconteceu comigo, graças a Deus. Às vezes, me perguntam como tantos adolescentes e até crianças eram recrutados e transportados, inclusive para outros estados, para trabalharem naquelas condições. Acho que talvez não houvesse fiscalização ou esses ‘gatos’ fosse muito esperto, lamenta.

JUÍZA DORMIU SEIS MESES EM PONTO DE ÔNIBUS

Quando conseguiu terminar os estudos, aos 17 anos, ela tentou um emprego na cidade onde morava, mas não conseguiu.
A saída então foi seguir, de carona, para Belo Horizonte.
No começo ela ficou na casa de parentes, mas depois precisou sair. Em razão da menoridade e da falta de experiência em atividades urbanas, Antonia só conseguiu trabalhar como doméstica.
— Consegui um trabalho, mas a patroa não queria alguém que dormisse no emprego. Para não perder o trabalho, inventei que tinha onde dormir mas na verdade passava as noites em um ponto de ônibus — lembra, acrescentando que ficava sentada durante toda a noite. Nos fins de semana seguia para a casa de parentes. Ela seguiu nessa rotina por seis meses até que, um dia, uma mulher ofereceu a casa para ela dormir.
Em busca de melhores oportunidades, ela ficou sabendo de um cursinho preparatório para concursos em Belo Horizonte, mas como não tinha dinheiro para as aulas, pegava as folhas do mimeógrafo no lixo para conseguir imprimir novas apostilas e estudar.
Ela estudava nos intervalos do trabalho, no horário de almoço e depois da jornada.
Assim, conseguiu ser aprovada em seu primeiro concurso, aos 21 anos, como oficial de justiça do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG).
— Fiz vários concursos até concluir o curso de Direito e depois fiz vários outros. Sempre gostei de mudanças em todos os aspectos da vida. No que diz respeito à vida profissional, as mudanças somente eram e ainda são possíveis por meio de concursos já que eu dependo do salário para sobreviver — contou a magistrada.
Atualmente, ela é juíza da 1ª Vara Criminal de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, e está concluindo o Mestrado em Segurança Pública, Justiça e Cidadania pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Olhando para trás, Antonia se considera abençoada, principalmente em razão família.
— Meus pais eram extremamente exigentes com os filhos e nos incutiram um grande senso de responsabilidade e disciplina. Minha mãe não era pessoa de se abater ou desanimar, e isso fez com que eu nunca me acomodasse. Obstáculos existem para testar nossa disposição e só merece conquistar a vitória quem ousa enfrentar os desafios. Minha mãe dizia que quem não tem coragem de lutar não merece vencer — afirma.
E para aqueles que acham que ela é uma inspiração, a doutora tem um conselho:

— Se eu pude alcançar meus objetivos, todos podem. Eu não sou diferente de ninguém. Os sonhos, entendidos projetos de vida capazes de nos mudar para melhor, são antecipações de conquistas. Quem é capaz de sonhar é capaz de realizar. Basta se esforçar. Não há sorte ou destino. O que existe é trabalho, perseverança e fé.
Fonte-arthurmoris

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