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sábado, 18 de abril de 2015

Perder a confiança? Jamais! Nosso Senhor oferece a graça do arrependimento e da conversão

Abismo da humana fraqueza, tirania dos maus hábitos!
Quantos cristãos recebem no tribunal da Penitência a absolvição de suas faltas; é sincera neles a contrição, enérgicas são as suas resoluções… e caem de novo nos mesmos pecados, por vezes graves; o número de suas quedas cresce sem cessar! Não terão, então, sobrejas razões de desânimo?
Que a evidência da própria miséria nos mantenha na humildade, nada mais justo. Que ela nos faça perder a confiança – será uma catástrofe, mais perigosa que tantas recaídas no erro.
A alma que cai deve se levantar imediatamente. Não deve cessar de implorar a piedade do Senhor. Não sabeis que Deus tem as suas horas e pode num instante elevar-nos a mais sublime santidade?!
Não tinha levado por acaso Maria Madalena uma vida criminosa?
A graça, no entanto, a transformou instantaneamente. Sem transição, de pecadora tornou-se grande Santa. Ora, a ação de Deus não se reduziu no seu alcance.
O que fez para os outros, poderá fazer para vós. Não duvideis: a oração confiante e perseverante obterá a cura completa de vossa alma.
Não me alegueis que o tempo passa e já toca talvez ao termo a vossa vida.
Nosso Senhor esperou a agonia do bom ladrão para atraí-lo a Si vitoriosamente. Num só minuto esse homem tão culpado converteu-se!
Sua fé e seu amor foram tão grandes que, apesar dos seus grandes crimes, nem passou pelo Purgatório; ocupa para sempre um lugar elevado nos Céus.
Que nada, pois, altere em vós a confiança! Do fundo do abismo embora, apelai sem trégua para o Céu. Deus acabará respondendo ao vosso apelo e em vós operará a sua justiça.

Certas almas angustiadas duvidam da própria salvação.

Lembram-se demasiado de faltas passadas; pensam nas tentações tão violentas que, que por vezes, nos assaltam a todos; esquecem a bondade misericordiosa de Deus. Essa angústia pode tornar-se uma verdadeira tentação de desespero.
Em moço, São Francisco de Sales conheceu uma provação dessas: tremia de não ser um predestinado ao Céu. Passou vários meses nesse martírio interior.
Uma oração heroica o libertou:
O Santo prosternou-se diante de um altar de Maria; suplicou à Virgem que o ensinasse a amar seu Filho com uma caridade tanto mais ardente sobre a terra, quanto ele temia não poder amá-Lo na eternidade.
Nesse gênero de sofrimento, há uma verdade de fé que nos deve consolar imensamente. Só nos perdemos pelo pecado mortal.
Ora, sempre o podemos evitar, e, quando tivermos tido a desgraça de cometê-lo, poderemos sempre nos reconciliar com Deus. Um ato de contrição sincera, feito logo, sem demora, nos purificará, enquanto esperamos a confissão obrigatória, que convém se faça sem detença.
Certamente a pobre vontade humana deve sempre desconfiar da sua fraqueza.
Mas o Salvador nunca nos recusará as graças de que carecemos. Fará também todo o possível para ajudar-nos na empresa, soberanamente importante, da nossa salvação.
Eis a grande verdade que Jesus Cristo escreveu com seu Sangue e que vamos agora reler juntos na história de sua Paixão.
Já tereis algum dia refletido como puderam os judeus apoderar-se de Nosso Senhor? Acreditareis, por acaso, que isso conseguiriam pela astúcia ou pela força? Podeis imaginar que, na grande tormenta, Jesus foi vencido porque era o mais fraco?!
Seguramente não. Os inimigos nada podiam contra Ele. Mais de uma vez, nos três anos de suas pregações, haviam tentado matá-Lo. Em Nazaré, queriam jogá-Lo num precipício; por várias vezes tinham apanhado pedras para lapidá-Lo.
Sempre, porém, a sabedoria divina desfez os planos dessa ímpia cólera; a força soberana de Deus reteve-lhes o braço; e Jesus afastou-Se sempre tranquilamente, sem que ninguém tivesse conseguido fazer-Lhe o menor mal.
Em Getsêmani, ao dizer Ele simplesmente seu nome aos soldados do Templo vindos para assenhorearem-se da sua pessoa sagrada, toda a tropa cai por terra tocada de estranho pavor. Os soldados só se podem levantar pela permissão que Ele lhes dá.
Se Jesus foi preso, se foi crucificado, se foi imolado, é que assim o quis, na plenitude da sua liberdade e do seu amor por nós.
Se o Mestre derramou, sem hesitar, o Sangue todo por nós, se morreu por nós, como poderia recusar-nos graças que nos são absolutamente necessárias e que Ele próprio nos mereceu pelas suas dores?
Essas graças, Jesus nos ofereceu misericordiosamente às almas mais culpadas durante a Paixão dolorosa. Dois apóstolos haviam cometido um crime enorme: a ambos ofereceu o perdão.
Judas O atraiçoa e Lhe dá um beijo hipócrita. Jesus falha-lhe com doçura tocante; chama-lhe de seu amigo; procura à força de carinho tocar esse coração endurecido pela avareza. “Meu amigo, porque vieste? – Judas, tu trais o Filho do homem com um beijo?…”
 É esta a última graça do Mestre a um ingrato.
Graça de tal força, que jamais lhe mediremos bem a intensidade. Judas, porém, a repele: perde-se, porque assim formalmente o prefere.
Pedro cria-se muito forte… Tinha jurado acompanhar o Mestre até a morte, e O abandona, quando O vê às mãos dos soldados. Só O segue então de longe. Entra tremendo no pátio do palácio do Sumo Sacerdote. Por três vezes renega o seu Senhor – porque receia os motejos de uma criada.
Com juramento afirma que não conhece “esse homem”. Canta o galo… Jesus volta-Se e fixa sobre o apóstolo os olhos cheios de misericordiosas e doces censuras. Cruzam-lhe os olhares…
Era a graça, uma graça fulminante que esse olhar levava a Pedro. O Apóstolo não a repeliu: saiu imediatamente e chorou com amargura a sua falta.
Assim como a Judas, como a Pedro, Jesus nos oferece sempre graças de arrependimento e conversão. Podemos aceitá-las ou recusá-las. Somos livres!  A nós compete decidir entre o bem e o mal, entre o Céu e o Inferno. A salvação está em nossas mãos.
O Salvador não só nos oferece suas graças, como faz mais: intercede por nós junto ao Pai celestial. Lembra-Lhe as dores sofridas pela nossa Redenção. Toma a nossa defesa diante d’Ele; desculpa-nos as faltas: “Pai, exclama nas angústias da agonia, Pai perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem!”.
O Mestre, durante a Paixão, tinha tal desejo de salvar-nos, que não cessava um instante de pensar em nós.
No Calvário dá aos pecadores o seu último olhar; pronuncia em favor do bom ladrão uma de suas últimas palavras. Estende largamente os braços na Cruz para marcar com que amor acolhe todo arrependimento em seu Coração amantíssimo.

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