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terça-feira, 28 de abril de 2015

A sua Confiança em Deus precisa ter bases fortes, inabaláveis… Quais?
I


O sábio constrói a casa sobre o rochedo:

Nem inundação, nem chuvas, nem tempestades a poderão lançar por terra. Para que o edifício da nossa confiança resista a todas as provas, preciso é que se eleve sobre bases inabaláveis.
“Quereis saber, diz São Francisco de Sales, que fundamento deve ter a nossa confiança? Deve basear-se na infinita bondade de Deus e nos méritos da Morte e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, com essa condição de nossa parte: a firme e total resolução de sermos inteiramente de Deus e de nos abandonarmos completamente e sem reservas à Providência”.
As razões de esperança são demasiado numerosas para que possamos citá-las todas.
Examinaremos aqui somente as que nos são fornecidas pela Encarnação do Verbo e pela Pessoa sagrada do Salvador. De resto, é Cristo em verdade a pedra angular sobre a qual principalmente deve apoiar-se a nossa vida interior.
Que confiança nos inspiraria o mistério da Encarnação, se nos esforçássemos por estudá-lo de maneira menos superficial!
Quem é essa criança que chora no presépio, quem é esse adolescente que trabalha na oficina de Nazaré, esse pregador que entusiasma as multidões, esse taumaturgo que opera prodígios sem conta, essa vítima inocente que morre na Cruz?
É o Filho do Altíssimo, eterno e Deus como o Pai… é o Emanuel desde tanto tempo esperado; é Aquele que o Profeta chama “o Admirável, o Deus forte, o Príncipe da paz”.
Mas Jesus – disto nos esquecemos frequentemente – é nossa propriedade.
Em todo o rigor do termo, Ele nos pertence; é nosso; temos sobre Ele direitos imprescritíveis, pois o Pai celeste no-Lo deu. A Escritura assim o afirma: “O Filho de Deus nos foi dado”.
E São João, em seu Evangelho, diz também: “Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho único”.
Ora, se Cristo nos pertence, os méritos infinitos de seus trabalhos, de seus sofrimentos e de sua morte nos pertencem também. Sendo assim, como poderíamos perder a coragem?
Entregando-nos o Filho, o Pai do Céu nos deu a plenitude de todos os bens. Saibamos explorar largamente esse precioso tesouro.
Dirijamo-nos, pois, aos Céus, com santa audácia; e, em nome desse Redentor que é nosso, imploremos, sem hesitar, as graças que desejamos. Peçamos as bênçãos temporais e sobretudo o socorro da graça; para a nossa Pátria solicitemos paz e prosperidade; para a Igreja, calma e liberdade.
Essa oração será certamente atendida.
Assim agindo, não fazemos nós um negócio com Deus? Em troca dos bens desejados, oferecemos-Lhe o seu próprio Filho unigênito. E nessa transação Deus não pode ser enganado: dar-Lhe-emos infinitamente mais do que d’Ele receberemos.
Essa oração, pois, se a fizermos com a fé que transporta montanhas, será de tal sorte eficaz que obterá, se preciso for, mesmo os prodígios mais extraordinários.

(Continua…)

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