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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Comunicações cérebro a cérebro

Em um estudo pioneiro, uma equipe internacional de neurocientistas e robótica demonstrou a viabilidade de uma comunicação direta cérebro a cérebro entre seres humanos.
Publicada na revista especializada PLoS ONE, a nova descoberta descreve a transmissão bem-sucedida de informações, através da Internet, entre os cérebros de pessoas localizadas a 8.000 quilômetros de distância.
“Queríamos saber se pode haver comunicação direta entre duas pessoas mediante a leitura da atividade cerebral de uma delas e da inserção desta atividade cerebral na segunda pessoa, e fazê-lo através de grandes distâncias físicas, mediante o aproveitamento dos canais de comunicação existentes”, explica o co-autor da investigação, Alvaro Pascual-Leone, diretor do Centro de Berenson-Allen para a estimulação cerebral não invasiva no Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e Professor de Neurologia da Harvard Medical School.
“Uma dessas formas é, naturalmente, a Internet, por isso a nossa pergunta foi: “poderíamos desenvolver um experimento (…) para estabelecer uma comunicação direta cérebro a cérebro entre indivíduos situados longe um do outro, especificamente na Índia e na França? A resposta foi sim”.
Pascual-Leone, junto a Giulio Ruffini e Carles Grau, liderando uma equipe de pesquisadores da Starlab Barcelona, ​​e Michel Berg, chefe de uma equipe Axilum Robotics, Strasbourg (França), conseguiram transmitir corretamente palavras como “olá” e “tchau” em uma comunicação cérebro a cérebro, mediada por computador, de um lugar na Índia para outro na França, através do uso da Internet, vinculada a um eletroencefalograma (EEG) e a tecnologias de estimulação magnética transcraniana (TMS), guiada por imagens e assistida por robôs.
Estudos anteriores sobre a interação cérebro-computador, baseados em EEG, já demonstravam o uso da comunicação entre o cérebro humano e o computador. Essa nova investigação, porém, acrescentou um segundo cérebro humano em outro extremo do sistema.
Quatro participantes saudáveis, de 28 a 50 anos, atuaram no experimento. A um deles – utilizando a interface cérebro-computador – coube o papel de remetente das palavras; os outros três utilizaram a interface computador-cérebro, com a finalidade de receber as mensagens e compreendê-las.
Usando EEG, a equipe de investigadores traduziu pela primeira a saudação “olá” e “ciao” em código binário e, em seguida, enviou por e-mail com os resultados da Índia para a França. A interface computador cérebro transmitiu a mensagem ao cérebro do receptor através da estimulação cerebral não invasiva. Os indivíduos receberam a transmissão sob a forma de flashes de luz em sua visão periférica. A luz apareceu em sequências de números que permitiram o receptor decodificar a informação contida na mensagem. Embora os indivíduos tenham relatado não sentir nada, receberam corretamente as saudações.
Uma segunda experiência similar foi realizada na Espanha e na França; o resultado final revelou uma taxa de erro total de cerca de 15%: 11% na área de descodificação e 5% na parte inicial, de codificação.
“Mediante o uso da neurotecnologia de precisão avançada como o EEG sem fio e os TMS robotizados, fomos capazes de transmitir diretamente, e de forma não invasiva, um pensamento de uma pessoa para outra, sem que estas precisassem falar ou escrever”, explica Pascual-Leone.
“Este é um passo importante na comunicação humana, contudo ser capaz de realizá-lo através dessas distâncias é uma importante amostra do desenvolvimento das comunicações cérebro a cérebro. Acreditamos que estes experimentos representam um primeiro passo importante na exploração da viabilidade complementar da comunicação baseada na linguagem”.

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