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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Mansidão de coração e o amor ao próximo

Não Lhe agradam discussões ou contendas. Sua palavra é modesta, doce como Seu Coração.
Jamais pronuncia uma palavra injuriosa, jamais Lhe saem dos lábios palavras orgulhosas.
Calmo, bom, sincero, Jesus é sempre o Bom Mestre.
Imita a Jesus, ó minha alma, evitando cuidadosamente palavras vivas e impetuosas, prenúncios duma alma agitada.
Não te permitas tampouco palavras de gracejo, palavras maliciosas, mortificantes, críticas ou arrogantes.
Jesus é tão bom para ti.
Deves sê-lo também para com os outros. Se queres que te tratem com bondade e doçura, saibas tratar teu próximo da mesma forma.

Mansidão de Jesus para com Seus Apóstolos

Eram eles grosseiros, materiais, sem educação.
E Jesus tolera-os com Bondade, sem se queixar, sem lhes censurar a falta de cortesia.
Não os despede com vivacidade ou por lassidão, mas fala-lhes suavemente, explicando-lhes cem vezes as mesmas coisas, sem a mais ligeira impaciência.
Chama-lhes docemente a atenção sobre as suas faltas, corrige-lhes com calma os defeitos; suporta-os durante três anos, noite e dia, junto a Si.
Ah! Jesus era tão delicado pelo Coração, tão grande pelo Espírito, tão generoso, tão nobre, tão divino! Habituado à Corte Angélica, à sociedade eterna do Pai e do Espírito Santo, agora só tem por companheiros os doze barqueiros da Galiléia. Ah! Nunca poderíamos crer um tal prodígio de Santidade, se Jesus não fosse a mesma Bondade, a mesma Doçura.
Pois bem, serás, ó minha alma, a exemplo de Deus, doce para com aqueles que te são desagradáveis, antipáticos. Serás doce com aqueles que te fizeram sofrer; suportarás com paciência as faltas de atenção, de consideração, de delicadeza por parte daqueles, com quem vives.
E nos momentos de mau humor, nas tristezas de coração, na irritação interior, tomarás teu coração nas duas mãos, ou antes, tu o darás a Jesus, a fim de não perderes essa doce paz, esse licor do mel da caridade que adquiriste à custa de tantos sacrifícios.
Nesses momentos mais vale calar-se do que fazer mal ao próximo sob pretexto de lhe querer fazer bem.

Mansidão de Jesus no correr de sua Paixão

Ciente de que Judas O há de trair, tolera-o, todavia em Sua companhia, falando-lhe sempre com Bondade, ocultando aos demais Apóstolos o seu crime, e, para triunfar da dureza de seu coração, chamando-o ainda de amigo no Jardim das Oliveiras e, prestando-se a beijá-lo.
Ó minha alma, como hás de recusar a Jesus a mesma graça para aqueles que te ofendem? Não é possível!
Jesus é atado pelos carrascos e submete-Se, qual cordeiro, a tudo, sem oferecer resistência, apresentando Ele mesmo as mãos para serem ligadas, e não respondendo às injúrias, às blasfêmias de toda espécie com que o atormentam ao longo do caminho.
Aprende, ó minha alma, tu também a guardar, por entre todas as violências, um silêncio nobre e suave, a ser manso como o Cordeiro de Deus.
Que mansidão a de Jesus em presença de Caifás!
Entregue à fúria da soldadesca vil que Lhe cospe no rosto, Lhe arranca os cabelos e faz d’Ele seu joguete, Jesus nada diz, nem sequer uma palavra de queixa.
Que Bondade no olhar que lança sobre Pedro, que três vezes O renega. Olhar de Pai que censura ao filho sua culpa enquanto lha perdoa.
Que Mansidão a de Jesus nos muitos sofrimentos do Pretório, nessa flagelação de milhares de golpes e, mais tarde, sob o peso esmagador da Cruz!
E que Paciência nessa mesma Cruz, recebendo as maldições com bênçãos, a injúria com o perdão, a ingratidão com a graça. Mas a doçura de Jesus brilha com fulgor sem igual ao exclamar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?”
Ah! Esse abandono do Pai foi a provação máxima de Jesus.
Nunca se queixou das dores físicas, nem da Sua crucificação, mas essa dor do Coração leva os Seus sofrimentos ao auge. E então o revela. Jamais nos teria sido dado a conhecer este novo sacrifício, se Jesus não no-lo tivesse ensinado.
Mas sua queixa é toda respeitosa. “Meu Deus, meu Deus”, e a sua exclamação é antes um ato de amor no sacrifício, de que só falará quando estiver consumado, terminando com estas palavras divinas: “Meu Pai, entrego a minha Alma entre as Vossas Mãos”.
Ó bom Jesus, é certamente na Cruz que Vos mostrais manso e humilde de Coração, tudo atraindo a Vós pela Vossa doçura: o ladrão penitente, os carrascos contritos, o mundo todo – também o meu pobre coração!
A exemplo de Jesus, ó minha alma, tu praticarás a doçura de paciência na moléstia e no sofrimento. A doçura de paz nas contradições. A doçura de submissão no infortúnio. A doçura de amor na cruz.
“Bem-aventurados os mansos de coração, porque possuirão a terra.”
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.”

“Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.”

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