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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O que é orar?



  1. Orar é tudo o que há de mais simples, primeira razão disso é a própria a necessidade que temos da oração.
2. Para orar, não é preciso talento especial, eloqüência, dinheiro nem recomendação de  espécie alguma. Até a devoção sensível não é necessária; a doçura a consolação não dependem de nós.
Se Deus no-las der, devemos recebê-las com reconhecimento, porquanto elas tornam a oração mais agradável. Orar, não obstante a aridez, é sempre orar. Consolados, ou não, cumpre fazê-lo.
3. Para isso, basta o conhecimento de Deus e o de nós mesmos, saber o que Ele é o que somos nós; como infinita é sua bondade e quão profunda a nossa miséria.
Para orar, uma única ciência é necessária: a fé e o catecismo.
 As palavras serão deitadas pelas nossas próprias necessidades. Poucas idéias (quan­to menos numerosas, melhor será) alguns desejos, e finalmente umas palavras saí­das do coração, – porque se assim não for, não há oração propriamente dita, – eis tudo o que é preciso.
Haverá, por acaso, um homem que não tenha um só pensamento, um único de­sejo? Pois bem, é apenas do que precisamos saber para empreender o nobre trabalho da oração. A graça, Deus no-la dá, de bom grado, a todos e a cada um em particular.
4. Por conseguinte, orar, é simplesmen­te falar com Deus; é conversar com Ele, mediante a adoração, o louvor, a súplica. Alguns teólogos opinam ser a oração um discurso feito a Deus, uma audiência por Ele concedida. É avançar muito. Grande é o numero dos que não sabem produzir um discurso, e a audiência, sendo por demais cerimoniosas, exclui a cordialidade.
Durante a oração, o nosso proceder deve ser idêntico ao que temos relativamente a um amigo íntimo e querido. A ele confiamos com sinceridade o que nos vai na alma: dissabores ou alegrias, esperanças e receios; dele recebemos conselhos e avisos, auxilio e conforto; com ele decidimos os mais importantes negócios, sin­gelamente e quase sempre sem que a sensibilidade se manifeste de forma alguma. É assim que, na oração, devemos ser para com Deus.
Quanto mai­or for a nossa simplicidade, tanto melhor será: demos voz ao coração.
 5. Se muitas vezes a oração se desenvolve de forma penosa e difícil, é culpa nossa; é porque não sabemos como nos colocar em concordância, e fazemos dela uma ideia errônea. Manifes­temos a Deus os sentimentos de nossa alma; digamos as coisas tais como se apresentam e a oração será sempre pro­veitosa. Todo caminho leva a Roma, diz o adágio, e toda ideia abre o seu para chegar a Deus.
Só saberemos orar quando o fizermos simplesmente. Que nos adianta dirigirmos ao Senhor discursos sublimes ou tornea­dos com graça?
Se acontecer que nenhuma ideia nos ve­nha à mente, tenhamos a simplicidade, de expor essa mesma nossa indigência. É isto ainda orar, glorificar a Deus e ex­pressamente advogar a nossa causa.

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