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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Livro escolar: uma fortuna jogada fora todo ano

Pode ser que o leitor  – seja ele pai de aluno ou mesmo estudante – tenha vivido esta situação nos últimos dias. Às vésperas do início do ano letivo, ele terá despendido uma fortuna com material escolar e, ao mesmo tempo, jogada na lata do lixo uma fábula em livros didáticos utilizados em 2013.
Isso acontece porque não existe no país um programa sequer de reutilização do material didático – de escola pública ou particular – de um ano para o outro, passado de aluno para aluno. Os livros têm uma espécie de prazo de validade – que se esgota ao final do ano letivo. Além disso, a indústria do material didático – com estreitas ligações com o Governo – age no sentido de garantir a obsolescência de seus produtos de ano para ano, faturando verdadeiras fortunas.
Uma das estratégias é a de incentivar o aluno a fazer suas lições no próprio livro – em vez de usar o caderno para este fim. As obras têm lacunas para serem preenchidas e quadros para serem rabiscados e – portanto – inutilizados. Outro estratagema é o de alterar a cada ano o número de páginas de cada obra – com folhas de rosto de mais ou de menos, insignificantes alterações no conteúdo ou inúteis textos iniciais. O objetivo é claro: criar certa confusão e desconforto dentro de sala de aula, caso algum aluno “espertinho” queira furar o esquema do lucro fácil utilizando um livro já rodado. É o “bullying” presumido – e por controle remoto.
O ex-ministro da Educação – e atual ministro-chefe da Casa Civil – passou anos à frente da pasta e, apesar de pertencer a um partido que já teve o trabalhador como inspiração, nada fez para mudar essa triste e vergonhosa realidade. Aloizio Mercadante fez ouvidos de mercador. Afinal, o livro didático é um tabu dentro do Governo que nada fará para mudar se esse assunto permanecer – como está – fora da pauta.
Em países como o Canadá, por exemplo, o livro não pertence ao aluno mas à sala de aula. Os estudantes são instruídos a conservar seu material didático – sabendo que ele será utilizado por outro colega no ano seguinte. O livro pode durar até mesmo mais de uma década. Assim, todos ganham: os estudantes e o Governo – que pode destinar a verba para outras iniciativas em Educação.
No Brasil, o livro didático é encarado como um “business” – muito lucrativo, por sinal. Pais e estudantes perdem a cada ano. Só a indústria do livro didático ganha. Esta é uma lição que ainda não aprendemos.

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