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sábado, 18 de janeiro de 2014

Afinal, quem é considerado judeu?


O conflito em torno da resposta sobre quem é judeu definirá a organização da sociedade de Israel, sua relação com judeus de outros lugares e o tamanho e a composição da comunidade judaica global.
Para os judeus ortodoxos, a resposta é simples e antiga: é judeu aquele cuja mãe é judia ou quem se converteu ao judaísmo de acordo com a Halacha, a lei religiosa judaica. Os não-judeus podem se surpreender com o fato de que esse tradicional requisito não esteja relacionado à fé ou à conduta para judeus de nascimento. Os judeus podem ser ateus (muitos o são: a apostasia é uma antiga tradição judaica) e ainda assim continuar sendo judeus.
Para muitos israelenses os rabinos são o problema. Em uma concessão realizada com a intenção de ampliar o apoio ao novo estado, quando Israel foi fundado os seus governantes laicos deixaram questões de casamento, divórcio e enterros nas mãos do rabinato. Este decide quem pode fazer parte desses ritos e quem pode realizá-los – o que obriga candidatos a marido e mulher a provar as suas credencias judaicas. Fornecer os documentos e testemunhas necessárias pode ser inconveniente e irritante: as pessoas se ressentem de ter que provar o que elas sabem que é verdade. A imigração fez com que o sistema se tornasse não apenas irritante, mas também insustentável.
O maior problema advém das consequências opostas de duas grandes rupturas na história do século XX: o holocausto e o colapso da União Soviética. Sob a Lei do Retorno israelense, qualquer pessoa que tenha (ou cujo parceiro tenha) pelo menos um avô judeu pode requerer a cidadania – um padrão expressamente modelado a partir do critério usado para perseguir judeus registrados nas Leis de Nuremberg de 1935. A onda de imigração oriunda da Rússia nas últimas duas décadas deixa claro que a discrepância entre esses dois padrões se tornou evidente. Hoje em dia há centenas de milhares de israelenses ex-soviéticos que foram judeus o bastante para entrar no país, mas que ainda assim não são judeus o bastante para os rabinos.
A diáspora também forçou uma reavaliação da questão de quem conta como judeu. Em boa parte do leste europeu as restrições comunistas tornavam a prática religiosa algo arriscado e a adesão aos ditames do judaísmo diminuiu sensivelmente. Até mesmo a circuncisão era desencorajada. Muitos judeus já tinham esquecido boa parte de sua tradição quando do colapso do sistema, no entanto eles ainda se consideram judeus. Não surpreende, portanto, que alguns rabinos americanos estejam reconsiderando suas definições. Desde 1983 o movimento reformista reconhece filhos de pais judeus, mas reconhecer apenas esse tipo de descendência não é o bastante para movimentos progressistas. “O judaísmo não pode ser apenas um acidente [de nascimento]”, afirma o rabino Rick Jacobs, presidente da União pela Reforma do Judaísmo. Para alguns, o ingrediente extra é a fé: ironicamente, enquanto noções mais ortodoxas do judaísmo ignorem a crença, denominações mais liberais a incluem. Para outros, o judaísmo é mais amplo que apenas a fé e a linhagem.


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