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domingo, 22 de dezembro de 2013

GENÉTICA: DNA de três pessoas em uma célula

Alana Saarinen é uma criança normal, de 13 anos de idade. Mas há algo de extraordinário sobre ela – cada célula de seu corpo é diferente de uma forma quase sem precedentes. A menina foi concebida com material genético de três pessoas: Sharon e Paul Saarinen, que forneceram o óvulo e os espermatozoides, e uma segunda mulher que contribuiu com genes das mitocôndrias, que são pequenas usinas de energia presentes em cada célula. Assim, ela é filha biológica de três pessoas, com DNA das três.
A técnica experimental que tornou isso possível – a transferência de citoplasma, no caso de Alana – foi interrompida pela Food and Drug Administration em 2001. Agora, apesar das incertezas sobre a sua segurança, cientistas nos Estados Unidos e no Reino Unido estão pedindo a legalização de uma versão mais direcionada dos experimentos. Os críticos dizem que ela  não foi adequadamente estudada e cruza uma linha em engenharia genética.
“Estamos misturando o DNA de duas mulheres em um único bebê. Eu não vejo como isso pode ser ético”, disse Sheldon Krimsky, bioeticista e professor de política e planejamento urbano e ambiental da Universidade Tufts. As mitocôndrias são organelas dentro das células que flutuam à parte do núcleo no citoplasma, criando energia para as atividades celulares. Embora a maior parte do DNA da célula esteja no núcleo, cada mitocôndria contém seu próprio pequeno conjunto de 37 genes, herdados unicamente da mãe.
Pesquisadores querem as técnicas aprovadas porque dizem que não há evidência de dano, ao mesmo tempo em que há um claro benefício para um pequeno número de mulheres que não poderiam ter filhos biológicos saudáveis. Os cientistas têm testando técnicas de fertilização que permitam a uma mulher com defeitos mitocondriais ter bebês saudáveis. Doenças mitocondriais são raras, mas podem ser devastadoras e incuráveis. A pesquisa sugere que entre nove e 12 pessoas num grupo de 100.000 têm uma doença mitocondrial.
Em uma das técnicas, o genoma nuclear da mãe é inserido num óvulo, que é então fertilizado com esperma do pai. Numa outra o genoma é transferido para o óvulo doador após a fertilização. Em ambos os casos, o DNA nuclear vem da mãe e do pai, mas a mitocôndria e seu DNA vêm de uma segunda mulher, que gera a criança.
A técnica tem uma história incomum. No final de 1990, Jacques Cohen, um especialista em fertilidade do Saint Barnabas Medical Center, acreditava que através da inserção de material citoplasmático, inclusive as mitocôndrias, a partir de um óvulo saudável em óvulo de uma paciente infértil ele aumentaria significativamente as chances de se ter um bebê. Ele teve o cuidado de não transferir o núcleo do óvulo saudável doado.
O trabalho do Dr. Cohen levou ao nascimento de 17 bebês, todos inicialmente saudáveis. Em dois casos, a gravidez foi interrompida, uma de forma espontânea e a outra não. Ambos os fetos tinham síndrome de Turner, uma anormalidade genética no cromossoma sexual. As células de duas crianças tinham uma mistura de mitocôndrias com material genético das duas mães. Estudos com ratos sugerem que isso pode levar à deficiência mental e um maior risco de obesidade e doença.
Outras clínicas de fertilidade usaram o procedimento, o que provavelmente levou a cerca de 100 nascimentos em todo o mundo, incluindo Alana Saarinen.  Mas em 2001 os testes foram proibidos. Para a mãe da menina, a filha é uma prova viva de como o procedimento deu certo.


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