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sábado, 29 de dezembro de 2012

A igreja mais alta do mundo: lições para o presente e o futuro



Embora não seja sede de bispado, ela é chamada de “catedral” pelas suas dimensões: a torre atinge 161,53 m de altura.
Também é chamada de “Ulmer Munster” título que lhe concedia privilegios abaciais. É um exemplo típico da arquitetura eclesiástica gótica.
O nome catedral vem de “cátedra” ou trono do bispo, mas Ulm não tem bispo. A história desta “catedral” foi muito perturbada.
Os cidadãos de Ulm desejavam uma igreja grandiosa, porém mais acessível, no centro da cidade, e encomendaram esta.
Sua pedra fundamental foi depositada no ano de 1377, e as obras partiram em bom ritmo.
Em 1392, Ulrich Ensingen, um dos arquitetos da catedral de Estrasburgo, foi feito chefe da confraria de construtores. A “catedral” foi consagrada em 1405.

Porém, por um senso de alteridade mal entendido, os habitantes de Ulm decidiram não completar a torre, contrariamente ao que faziam as cidades vizinhas que estavam construindo suas catedrais.
Eles desejavam que ninguém fizesse uma igreja mais alta, e então esconderam as dimensões de seu projeto.
Porém, em 1531, tendo aderido ao protestantismo, os cidadãos de Ulm paralisaram as obras.
A Revolução Protestante foi visceralmente inimiga das proezas do espírito medieval.
Ela amava os “chiqueirinhos” onde pregavam Calvino, Lutero e outros heresiarcas: estábulos, garagens transformados em local de pregação, ou até mesmo igrejolas sem estilo e de má qualidade.
Seus adeptos invadiram e confiscaram a “catedral” parcialmente construída e, obviamente, durante séculos nada fizeram para completá-la.
No século XIX, o espúrio império prussiano estimulou a construção de grandes prédios para dar lustro à sua glória por demais nova, a qual, aliás, durou pouco.
Desse impulso beneficiou-se a “catedral” de Ulm. Sua torre foi concluída 513 anos após o início das obras – mais precisamente em 1890 –, transformando-a no prédio mais alto do mundo. Ainda hoje, ela figura entre os 20 edifícios mais altos da Europa.
A igreja possui três naves principais da mesma altura e uma única torre.
A “catedral” de Ulm sobreviveu quase incólume aos bombardeios devastadores da II Guerra Mundial, apesar de 80% do centro histórico da cidade ficarem reduzidos a ruínas pelas bombas.
Aliás, fato semelhante se deu em Colônia: todas as construções de outros séculos foram pulverizadas pelas bombas dos aliados, a ponto de os cordeiros pastarem o capim que crescia entre os escombros da outrora grandiosa cidade.
Também a inconclusa catedral de Colônia, erigida séculos antes, ficou em pé, altaneira, como que protegida pelos anjos.
Foi um sinal assombroso da bênção divina que pousa sobre as grandes realizações da era de Fé e Luz que foi a Idade Média. No século XIX ela acabou sendo completada.
O que dizer da sabedoria medieval capaz de erguer prédios que superam a imensa maioria dos levantados em séculos posteriores e que resistiram aos séculos e aos bombardeiros mais ferozes que a História recorda?
Sem dúvida, a sabedoria que os medievais amavam e fizeram deles, muito contribuiu para tal.
Mas é só isso?
Não há um desígnio de Deus pairando sobre essas maravilhosas construções góticas, protegendo-as das insensatezes dos homens?
E não haverá nelas um ensinamento para o nosso presente arquitetônico, marcado pela instabilidade dos projetos, pelos materiais vulgares e estruturas efêmeras?
Não haverá ali uma indicação para nosso futuro?
Para as catedrais que virão após a Igreja superar a presente crise que parece querer levá-la ao fundo dos infernos?

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