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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Uso indiscriminado de celulares e smartphones tem causado doenças


A luz incessante piscando no aparelho celular indica que há novas mensagens. Para muitos usuários desses smartphones é impossível resistir ao chamado para checar o recado. Pode ser no meio da madrugada, durante o almoço. Esse é apenas um dos exemplos que mostram como a dependência dos recursos tecnológicos tem alterado a rotina de usuários que não conseguem se desligar, e, sem perceber, acabam sofrendo de estresse e outras doenças psicológicas e até físicas.
A psicanalista Joana de Vilhena Novaes, pesquisadora do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social da PUC-RJ, explica que grande parte dos pacientes que a procuram sequer imagina que a causa de seus problemas possa estar ao alcance das mãos. Segundo ela, os celulares e outros gadgets criam dependência porque vão causando uma mudança nos hábitos que parece sutil, mas é drástica:
“O paciente procura ajuda em função de sintomas percebidos nas mínimas coisas. Muitas vezes por dificuldades na interação com outras pessoas. A facilidade de acesso ao outro gerada por tecnologias como celular, e-mail e redes sociais acaba provocando uma irritabilidade enorme quando não se é atendido ou correspondido. E isso gera conflitos”.
Joana lembra que os adolescentes de gerações passadas acabavam gozando de uma confiança maior dos pais já que não eram acessíveis a todo momento. Quando iam a uma festinha na casa de um amigo, no máximo, davam o número do telefone fixo da residência. Hoje, é só ligar para o celular ou mandar mensagem, o que estimula um voyeurismo enorme. O mesmo é válido para os perfis nas redes sociais. Isso faz com que muitos filhos acabam se sentindo invadidos.
Os jovens, por sua vez, também não têm conseguido se desconectar. Um estudo recente da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, mostrou que os sintomas da abstinência que eles experimentam quando são privados de seus aparelhos eletrônicos são comparáveis aos de viciados de drogas. O grupo estudado – mil estudantes universitários de dez países, com idades entre 17 e 23 anos – foi proibido de usar celular, acessar a internet e ver televisão por um dia inteiro. Os pesquisadores viram que quatro em cada cinco voluntários tiveram desconforto físico e mental significativo, pânico, confusão e isolamento extremo. Apenas 21% disseram que poderiam sentir os benefícios de ser desconectado.
Joana, no entanto, evita classificar a dependência da tecnologia em vício. Segundo ela, o vício é uma categoria patológica, e o parâmetro para a sua classificação varia de acordo com a cultura, que vai definir o que é normal e o que é uso adoecido:
“O celular é como uma correia eletrônica. Fica mais difícil de encarar como patologia porque o uso é muito disseminado. É uma facilidade. Mas, o celular pode ser visto como um apêndice, que promove alterações no sujeito que vão de sintomas físicos como insônia e inflamações nos dedos polegar e indicador até questões sociais e psicológicas, como sensação de desamparo e solidão”.
Joana alerta que é preciso tomar cuidado e viabilizar formas viáveis de viver sem a tecnologia. Ela lembra que algumas pessoas sequer conseguem ter relacionamentos sérios porque são incapazes de deixar de prestar atenção no celular e ler mensagens eletrônicas durante um almoço ou jantar.
Com a integração dos e-mails profissionais aos aparelhos pessoais tem sido cada vez mais difícil separar o pessoal do profissional. Para muitos, nem mesmo nos fins de semana ou nas férias é possível relaxar completamente e não acessar as caixas de e-mail. Um estudo mundial divulgado no fim do ano passado mostrou que 63% dos brasileiros utilizam celulares tanto para uso pessoal como para trabalho. O número é bem maior que o dos Estados Unidos, onde é de 40%. Outro dado que chama atenção é que os brasileiros checam suas caixas de e-mail de qualquer lugar. Por exemplo, 17% dos entrevistados disseram que acessam seus e-mails do trabalho quando estão em templos religiosos, mais do que o dobro dos Estados Unidos, onde o percentual cai para 7%.
“Precisamos aprender a lidar com a tecnologia porque senão a facilidade pode acabar gerando transtornos maiores”, ressalta Joana.

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