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terça-feira, 31 de maio de 2011

Lenda ou Fato? O condenado, o gênio e os 3 pedidos


Li uma história, ou lenda que transmito aos leitores, para que a façam seguir adiante.


Havia um condenado à morte, em vésperas de ir à forca. Lamentava-se como é natural. Poucas esperanças tinha de fugir ao nó fatal, quando se lhe apresentou, entre as grades do calabouço, um gênio bom ou mau (o leitor decidirá), com a seguinte solução:

– Posso poupar-te o suplício, se escolheres uma das quatro propostas: a) matar o seu pai; b) bater na sua mãe; c) expulsar de casa sua irmã; ou d) tomar uma pipa de cachaça.

Um lampejo brilhou nos olhos do infeliz. Pareceu-lhe tão fácil a escolha que não atinava como é que o gênio pusera no mesmo nível ações tão pouco iguais.

A decisão não podia demorar.

Matar o pai? Ave-Maria! Nem pensar nisso era bom! Que pilheria sem graça que nem ao diabo lembraria, caso esse tivesse pai. Escusado é dizer que esta idéia foi repelida com uma certa energia.

Bater na mãe? Que horror! Que abominação! Antes a forca mil vezes do que um crime desses! Decididamente, o gênio tinha queda para brincadeiras de mau gosto. Apesar de homicida, o preso seria incapaz de levantar o braço sobre sua genitora.

Expulsar de casa a irmã? Só faltaria essa! O gênio parecia apostado em formular idéias estrambóticas.

Matar o pai, nunca!

Espancar a mãe, jamais!

Maltratar a irmã, em hipótese alguma!

Só restava, pois, uma táboua de salvação. Esta “tábua de salvação” era uma pipa de cachaça. Antes um beberrão vivo do que um abstêmio morto, pensou o condenado. Aliás, o álcool não fora inventado para os animais. Um cálice de branquinha tem lá seu sabor! Entre a forca e o copo, a hesitação não tinha cabimento. A quarta proposta foi preferida…

O homem saiu logo, portanto da cadeia. Respirou com delícia os ares da liberdade. Mas tinha que cumprir o contrato. Ingurgitou logo uns goles da cachaça. Não havia mal nisso, não acha?, pois o álcool era ingerido em obediência ao gênio.

Mas depois foi apreciando por gosto. Finalmente o álcool foi procurado com paixão. As bebedeiras passaram a ser diárias e reforçadas. Esvaziada a pipa, o homem levava horas em sorver copos nos botequins e em descrever ziguezagues pelas ruas, ora apupado pelos garotos, ora “abotoado” pela policia. Passava mais noites no xilindró do que em casa. Ficou sendo um tipo da rua, célebre pelas asneiras que soltava.

Era uma lástima!

Uma noite entrou em casa, completamente fora de si. Fedia álcool a ponto de poder asfixiar uma mosca a vinte passos de distância. Vinha com o cérebro em fogo, com os nervos a arderem. O demônio do furor se lhe apoderara do organismo. Sentia uma vontade de matar. Entre pragas e blasfêmias, sacudiu a porta a murros e pontapés.

Veio abrir-lhe a irmã que, apesar de silenciosa, foi recebida com tapas e pontapés, com insultos e indecências. Horrorizada, a donzela retrocedeu e foi chorar no colo da mãe. Contou os desatinos do irmão.

A mãe exprobrou ao filho a indignidade deste proceder, mas o infeliz, desvairado pelo álcool, ousou erguer a mão sobre a mulher que o gerara. Uma bofetada sonora ecoou sinistramente sobre a face da triste mulher que, surpreendida pelo trágico insulto, caiu desmaiada entre os braços do marido que sobreviera, atraído pelas imprecações do ébrio e pelos gritos das mulheres.

E como o pai vituperara tantos crimes, o filho, passando de homem a besta-fera, agarrou entre as mãos possantes o pescoço paterno e só afrouxou a pressão quando a vitima pendeu inerte, feita cadáver.

Assim o gênio, que outro não era senão o demônio, alcançou com a quarta as três primeiras cláusulas. O ex-condenado, em se dando ao vício da borracheira, chegara a maltratar a irmã, espancar a mãe e matar o pai.

O que aqui fica narrado não é simples lenda… É um fato que, ora parcial, ora totalmente, se repete comumente, aqui ou acolá, num canto do orbe!


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