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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Primeira cápsula espacial privada entra em órbita


A empresa americana SpaceX colocou com sucesso em órbita nesta quarta-feira sua cápsula espacial Dragon, na primeira tentativa deste tipo realizada por uma empresa privada americana e que pode abrir caminho aos voos comerciais espaciais. 
O lançamento da cápsula a partir de Cabo Cañaveral (Flórida, sudeste) a bordo de um foguete Falcon 9 ocorreu às 15H43 GMT (13H43 de Brasília), e a cápsula em forma de bala entrou em órbita cerca de 10 minutos depois.
A SpaceX  confirmou que a cápsula fez um "pouso suave" às 19H04 GMT (17H04 de Brasília), menos de quatro horas após seu lançamento a bordo do foguete Falcon 9 de Cabo Cañaveral, Flórida (sudeste).
"Dragon está em órbita", escreveu a Nasa em seu Twitter cerca de 10 minutos após o lançamento. "Parabéns à SpaceX e sua equipe por esse lançamento bem-sucedido".
Por enquanto, ninguém viaja a bordo da cápsula Dragon, mas ela tem espaço para sete tripulantes e um amplo porão de carga, que pode fornecer suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS), após a Nasa aposentar sua frota espacial no próximo ano.
Na ausência de carga e tripulantes, a cápsula Dragon transporta "cartões de identificação dos funcionários da SpaceX e outras recordações", informou a Nasa.
Nunca antes uma empresa privada tentou um arriscado desafio de enviar uma nave espacial a orbitar a Terra e voltar ao planeta, e inclusive a própria SpaceX afirma não estar segura de conseguir isso.
A operação tem o objetivo de mostrar a habilidade da cápsula de se lançar e separar do foguete Falcon 9, orbitar a Terra, transmitir sinais, receber ordens e depois voltar à atmosfera do planeta para ser recuperada no oceano.


Se o lançamento e os controles de comando forem bem-sucedidos, o próximo passo será um voo ao redor da Estação Espacial Internacional (ISS), em uma missão de cinco dias durante 2011.
O terceiro seria um voo tripulado para a ISS, também em 2011.
Mas a empresa não era muito otimista sobre o sucesso de toda a operação.
"A história nos faz pensar que teremos algum problema importante em um dos três primeiros voos, isso é algo empírico que não tem nada a ver com o que estamos fazendo nem com nossas esperanças", disse na segunda-feira a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell.
"Não sou uma estatística, então não necessariamente quero dar um número (chances de sucesso), mas acho que não é menor que 70%", estimou.
De fato, alguns problemas técnicos adiaram o lançamento: primeiro, foi encontrada na segunda-feira uma rachadura no propulsor do motor, que adiou em um dia o lançamento, em seguida, nesta quarta-feira, a primeira tentativa de lançar a nave durante a manhã foi abortada por razões ainda desconhecidas.
A agência espacial americana Nasa assinou um contrato de 1,6 bilhão de dólares com SpaceX em dezembro de 2008, no âmbito do programa dos Serviços de Transporte Comercial Orbital (COTS, em inglês), para que forneça 12 naves espaciais com capacidade de carga de pelo menos 20 toneladas capazes de reabastecer a ISS até 2016.
A Nasa e o governo dos Estados Unidos estimulam o setor privado a se envolver no espaço a fim de tapar o buraco deixado pelo fim do programa de ônibus espaciais em 2011, até que comecem a voar as naves da próxima geração da agência espacial.
Por enquanto, os EUA dependerão dos foguetes russos Soyuz para chegar à ISS durante o período de transição.

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