Redes Social



twitterfacebookgoogle pluslinkedinrss feedemailhttps://www.wowapp.com/w/andrecafe/joinhttps://www.instagram.com/andrecafee/

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Dinos voadores viveram no Nordeste brasileiro há 100 milhões de anos


Na Região Nordeste, a pré-história começa no céu, onde os pterossauros reinavam absolutos. Depois de aproximadamente 65 milhões de anos, esses animais desapareceram — ninguém sabe como. Porém, seus registros ficaram muito bem preservados nas rochas que hoje afloram na Bacia do Araripe, entre os estados do Ceará, de Pernambuco e do Piauí. Foram elas que tornaram o Brasil famoso mundialmente pelo registro fóssil desses repteis voadores. Das 26 espécies descritas no país, 25 saíram da região.


Na Bacia do Araripe — que se formou durante a divisão da América do Sul e da África, entre 133 e 100 milhões de anos atrás — há dois depósitos fossilíferos, separados por 5 milhões de anos: a formação Crato e a formação Romualdo. A Crato representa o lago de água doce existente naquela região há 105 milhões de anos. Entre os principais fósseis encontrados lá, estão insetos, anuros, alguns pterossauros, penas de aves, mas sobretudo restos de angiosperma — plantas que hoje dominam o mundo, mas que há milhões de anos eram minoria.

Acima da Crato, está localizada a formação Romualdo, que representa uma laguna de água salgada daquela região há 100 milhões de anos. Foi essa região especialmente que fez o Brasil ficar famoso no campo da paleontologia. Primeiramente pela descoberta de milhares de fósseis de peixes, e depois pelo achado de diferentes espécies de pterossauros, com características muito próprias, que os diferenciam de outros animais encontrados no resto do mundo.




Enigma

Considerados os primeiros vertebrados a desenvolverem o voo ativo, os pterossauros são um dos grupos mais enigmáticos de animais pré-históricos. Eles raramente são encontrados e geralmente estão mal preservados e incompletos. Pelo menos no resto do mundo, porque, no Brasil, é o contrário. “Aqui, temos fósseis em três dimensões, ou seja, ossos fantasticamente preservados. Isso para um animal voador, que tem um osso extremamente fino, é muito raro”, afirma Alexander Kellner, paleontólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Essa preservação possibilita que se faça estudos anatômicos com riqueza de detalhes. Os pesquisadores podem saber como estavam dispostos os músculos, como eram as articulações dos ossos, “o que nos possibilita afirmar a forma como eles movimentavam as asas”, explica Kellner.


Além disso, a Bacia do Araripe também é conhecida pelo achado de fósseis de tecidos moles — couro, músculos e até vasos sanguíneos. Na formação Romualdo, foram encontrados exemplares de fósseis tridimensionais de fibras musculares e de vasos sanguíneos desses rapteis voadores. “Isso, em nível mundial, é único”, informa Kellner. Também foi encontrado um fóssil de tecido mole do dinossauro Santana raptor (veja infografia). “Antes, não sabíamos que poderia haver esse tipo de preservação”, diz o paleontólogo. Com essas descobertas, os pesquisadores podem ter uma ideia geral de como era o animal — se ele era revestido por penas, por exemplo.

No norte do Maranhão, na Ilha do Cajual, um leito de ossos repleto de fósseis de animais e plantas representa um raro registro do período Cretáceo médio, datado em cerca de 95 milhões de anos atrás. O depósito, batizado de Laje do Coringa, é o único documentado até agora no Brasil e traz fósseis de titanossauros que tinham mais de 25m de comprimento e até 10m de altura. “O registro maranhense está entre os mais antigos conhecidos para esse grupo de animais”, conta Manuel Alfredo Medeiros, paleontólogo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Por lá também andou o maior predador do período Cretáceo médio, o Carcharodontosaurus. Seu tamanho é estimado em 12m de comprimento e mais de 4m de altura, pesando entre seis e oito toneladas.

Nenhum comentário:

 
BLOG DO ANDRÉ CAFÉ
SÓ JESUS SALVA
//