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sábado, 25 de setembro de 2010

Baratas são depósitos de substâncias com potencial antibiótico


São mais de 4 mil espécies, mas apenas quatro povoam os ralos e armários das casas. Saem dos esgotos para espalhar repulsa e pânico em algumas pessoas. Se causam tanto mal-estar em boa parte da população mundial, provocam curiosidade em cientistas. O paquistanês Naveed Ahmed Khan, professor de microbiologia da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, quis saber porque elas sobrevivem aos ambientes mais pestilentos e inóspitos. Descobriu que o tecido nervoso das baratas contém moléculas capazes de matar 90% das Staphylococcus aureus resistentes à meticilina(MRSA) — as chamadas superbactérias, causadoras de graves infecções hospitalares — e das Escherichia coli, sem danificar as células humanas. Em tese, o cérebro das baratas é uma espécie de depósito rico em potenciais antibióticos.

“Como esses organismos habitam os mais asquerosos locais conhecidos ao homem e são bem-sucedidos mesmo na presença de superbactérias, minha hipótese era de que eles deviam ter algum tipo de defesa”, explica Naveed ao Correio, em entrevista por e-mail. “Testamos essa teoria e vimos que ela é verdadeira.” O especialista deduziu que o sistema nervoso das baratas precisaria ser continuamente protegido. Caso contrário, o inseto morreria. “O cérebro é a parte mais resguardada de qualquer organismo. Então, fazia sentido que encontrássemos potenciais atividades microbianas ali”, diz.

Naveed concluiu que as estruturas periféricas do sistema nervoso desses insetos podem sofrer avarias, mas não o suficiente para matá-los. “Nós identificamos nove diferentes moléculas (proteínas) nos lisados (produto da dissolução de células de um tecido) que eram tóxicos às superbactérias”, conta. Ele espera agora que essas substâncias sejam sintetizadas em tratamentos para infecções bacterianas resistentes às drogas atuais. “Esses novos antibióticos fornecem alternativas para medicamentos atualmente disponíveis que são eficientes, mas têm efeitos coletareis graves e indesejáveis”, comenta.

De acordo com Naveed, pesquisas preliminares indica que as proteínas naturais têm atividade potente contra bactérias gram-negativas, como a neuropatogênica Escherichia coli e gram-positivas, como as MRSA. “Por meio de ferraments analíticas — como o espectrômetro de massa e a ressonância nuclear magnética —, estamos estudando as estruturas moleculares para determinar suas inovações”, relata o cientista de Nottingham. “Esperamos submetê-las a testes clínicos e levá-las às farmácias nos próximos cinco ou 10 anos. Uma vez que conheçamos toda a estrutura proteica, seremos capazes de sintetizá-la em grandes quantidades, no laboratório”, acrescenta.

Por enquanto, Naveed e seus colegas concentram seu trabalho nas baratas de laboratório. A expectativa em relação às espécies de esgoto (Periplaneta americana) é ainda mais otimista. “As baratas de esgoto devem ter muito mais atividades moleculares. Por isso, o futuro de descobertas de antibióticos a partir desses insetos é muito próspero”, admite. O britânico Simon Lee, pesquisador da pós-graduação na Universidade de Nottingham e co-autor do estudo, explicou que não causa surpresa o fato de os insetos secretarem suas próprias substâncias antimicrobianas. “Os insetos frequentemente vivem em ambientes sem saneamento e sem higiene, onde encontram muitos tipos diferentes de bactéria. Por isso, é lógico que eles tenham desenvolvido meios de se proteger contra os micro-organismos”, lembra Lee.

Gafanhotos

As baratas não são os únicos seres quase indestrutíveis pelas superbactérias. Uma simples observação levou Naveed a concluir que os gafanhotos gozam do mesmo mecanismo de defesa. “Estávamos intrigados pelos insetos antimicrobianos, quando percebemos que muitos soldados retornavam de diferentes partes do mundo com infecções incomuns”, relata. “Gafanhotos viviam nas mesmas regiões e eram incólumes à presença de superbactérias”, acrescenta. O paquistanês usou a mesma linha de raciocínio usada com as baratas e detectou a presença das mesmas moléculas no cérebro do inseto.

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