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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Obras na BR 101 revelam acervo arqueológico


As obras de duplicação da BR 101 estão revelando um acervo arqueológico surpreendente no Nordeste. Desde o início das escavações, em 2005, entre os Estados da Sergipe e Rio Grande do Norte, já foram localizados 165 sítios históricos e pré-históricos, além de outras 10 ocorrências arqueológicas.

Entre o material encontrado no Nordeste estão vestígios de tribos, vilas e peças produzidas por índios que viveram na região antes e depois da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500. Todo o material histórico é coletado e posteriormente analisado pelo Laboratório de Arqueologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Desde 2002, uma portaria do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) inclui a necessidade de uma licença arqueológica antes de qualquer obra de grande porte, como é o caso da duplicação da rodovia federal.

A catalogação dos dados já foi concluída no trecho que vai de Natal (RN) a Palmares (PE), faltando ainda a análise dos dados. Já em Alagoas e Sergipe, a fase de coletas teve início em dezembro de 2009, enquanto a busca na Bahia deve começar nos próximos meses.

Pernambuco é o Estado com maior número de achados arqueológicos: foram 101 sítios encontrados. Na Paraíba, foram 25 registros, o mesmo número de Alagoas, que ainda está em fase inicial de coleta de material. O Rio Grande Norte teve 16 sítios encontrados, enquanto Sergipe registrou, até agora, oito sítios com ocorrências arqueológicas.

“Todos os achados são extremamente relevantes, pois sempre trazem algo de novo para o conhecimento de grupos que viveram no passado, sejam ele anteriores ao descobrimento do Brasil ou posteriores”, explicou o professor da UFPE e coordenador geral da pesquisa arqueológica da BR 101 no trecho RN-BA, Marcos Albuquerque.

O professor explica que todo o material é encontrado antes que as máquinas iniciem as obras. Segundo ele, os sítios arqueológicos encontrados são divididos por período: pré-histórico (antes do descobrimento do Brasil) e histórico (que vão do descobrimento até o século 20).

Albuquerque conta que os achados apontam para tribos indígenas com características próprias e que viveram na região há séculos. “Os sítios pré-históricos encontrados são de grupos de agricultores da tradição cultural Tupiguarani. Estes grupos tinham na mandioca seu alimento básico e produziam cerâmica. Já os sítios históricos podem ser vilas, povoados, igrejas etc.. Normalmente eles apresentam cerâmica de origem inglesa”, disse.

O professor de arqueologia explica que a cultura desses índios possui outras características peculiares. “Eles enterram seus mortos em urnas funerárias em cerâmica, moravam em aldeias compostas de varias ocas e passavam em torno de seis anos em cada local e migravam”, assegurou.

Quando concluída a análise dos dados, o material deve ser reenviado para os Estados de origem - caso eles demonstrem condições de guardar os achados históricos. "O Iphan é quem determina a guarda legal deste material. Nós temos um laboratório móvel que se desloca para a área de maior necessidade e, quando estacionado, abre para receber visitas ao material. Normalmente em todos os municípios trabalhados fazemos um trabalho de educação patrimonial em colégios, instituições etc.", explicou o arqueologista.

Obras na rodovia

Segundo o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), o trecho entre Natal (RN) e Palmares (PE) ainda está em obras e deve ser inaugurado ainda neste ano. “A exceção [é] do contorno de Recife [que já está duplicado]. Até dezembro, dos 335 km em obras, 83 km de pistas duplas já estavam liberadas ao tráfego. A previsão para conclusão de todo trecho é dezembro deste ano”, disse o órgão, em nota ao UOL Notícias.

Ainda segundo o órgão, as obras no trecho Alagoas-Bahia ainda aguardam a licença de instalação, que é fornecida pelo Ibama. “A previsão é de que a licença seja emitida até março”, afirmou.

O Dnit assegura que todos os cuidados estão sendo tomados para garantir a preservação do sítios históricos. “Os estudos e ações não só preservam como também localizam e salvam os sítios. Isso ocorre em todas as obras de duplicação executadas pelo Governo Federal. Na duplicação da BR-101 em Santa Catarina, por exemplo, o gerenciamento ambiental das obras garantiu a localização e salvamento dos sítios arqueológicos, citados por pesquisadores dos anos 60, cuja localização exata ninguém sabia”, informou o texto.

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